Um grupo de 16 voluntários espanhóis esteve até à passada sexta-feira, dia 29, no concelho, a realizar voluntariado em conjunto com o Centro Paroquial de Assistência do Juncal (CPAJ), que os acolheu durante duas semanas no salão paroquial. O convite foi «endereçado pela associação Do Change ao CPAJ no início deste ano» e rapidamente recebeu luz verde da instituição, contou a técnica de Serviço Social do CPAJ e responsável por esta iniciativa, Bárbara Morgado.

Este projeto de voluntariado internacional foi orientado pelo CPAJ, no entanto a esta instituição juntaram-se mais cinco do concelho de Porto de Mós, nomeadamente, o Centro de Apoio Social Serra D’Aire e Candeeiros (CASSAC), a Associação de Bem-Estar da Cruz da Légua, o Solar do Povo do Juncal, a Associação de Amparo Familiar de Mira de Aire e a Casa do Povo da Calvaria de Cima, refere.

A técnica explicou que os grupos foram divididos por áreas: «Um dos grupos esteve numa sala da creche, outro nos campos de férias de verão, uma das iniciativas da Porto Jovem [uma associação juvenil criada dentro do CPAJ]» e um dos grupos ficou responsável por desenvolver atividades em ATL. Juntamente com estes jovens, vieram mais 10, que se «deslocavam todos os dias para fazer voluntariado numa escola em Fátima», referiu. No final do dia, o grupo reunia para partilhar as experiências que tinham tido com as crianças e com os idosos, conta.

«Para o CPAJ faz todo o sentido acolher estes projetos», por esta ser uma instituição que aposta em iniciativas diferenciadoras, que prezam a «interculturalidade e intergeracionalidade», considera a responsável, acrescentando que «este projeto representa aquilo que o CPAJ pretende fazer no futuro».

A importância do convívio

À conversa com O Portomosense esteve também a diretora técnica do CASSAC, Margarida Pires, no dia em que foi realizado um piquenique com os idosos, uma das atividades organizada pelos voluntários espanhóis. A diretora acredita que estes momentos são de «extrema importância» para os utentes, que precisam, mais do que nunca, de conviver uns com os outros. O bónus, desta vez, foi «a companhia especial», os voluntários, que esteve ao lado dos idosos, dando-lhes atenção, sublinha Margarida Pires, que atribuiu «cinco estrelas aos jovens voluntários» que disponibilizaram duas semanas da sua vida para fazerem este acompanhamento com os idosos. A diretora técnica esteve presente em «grande parte das atividades», que foram espoletando a felicidade no rosto destas pessoas e só por isso, «tudo valeu a pena», realça.

A tarde de sol estava em sintonia com o momento que ali se viveu, de partilha e de muita animação entre jovens e idosos, que mostraram que a língua não é uma barreira, porque os gestos, o olhar e a presença também conseguem comunicar. Manuel Carvalho, um dos utentes do CASSAC que esteve no piquenique, em conversa com O Portomosense disse estar feliz por estar a conviver, juntamente com a esposa, Graça Maria, que ao contrário do marido não sorria, dizia com tristeza que só tinha um problema: «Não ver». O marido, em contrapartida, ia recordando as histórias, contava que faziam «39 anos de casados em agosto» e que em tempos adorava «bailaricos». Hoje, Manuel Carvalho diz já não ter pedalada para a dança, mas a vontade de partilhar as suas experiências era notória. Manuel Afonso, do CASSAC, em conjunto com a sua mulher, também pôde desfrutar do piquenique. «Aceitei logo o convite e estou a gostar de estar aqui», revelou.

Os idosos puderam assim desfrutar de um almoço em convívio, participar em jogos, dançar e cantarolar juntamente com os voluntários espanhóis, que improvisaram toda a animação daquela tarde, passada na Batalha.

Ocupar as férias ajudando os outros

Jovens estudantes, na casa dos 20 anos, decidiram aproveitar parte das suas férias para ajudar, conhecer e partilhar experiências com crianças e idosos e ainda com outros jovens, todos eles com o mesmo objetivo: dar um pouco de si aos outros. Alex Martinez, Pepe Messa, Carlos Seire, Maria Millan e Irene Martinez, foi o grupo que esteve presente na tarde do dia 28 de julho, com os idosos do CASSAC, a animar, a conversar e a escutar as histórias de cada um.

À conversa com O Portomosense, Pepe Messa, começou por explicar que a organização sem fins lucrativos, Do Change, da qual o grupo de voluntários faz parte, é responsável por dinamizar todos os anos ações de voluntariado dentro e fora de Espanha. Este ano, há voluntários da Do Change na Índia, em Portugal e também na Galiza, adianta. O objetivo é «andar um pouco pelo mundo, ajudar os outros e fazer da sociedade um lugar melhor», realça. Para Pepe Messa, «fazer voluntariado é fundamental». Carlos Seire reforça a ideia, admitindo que se sente «muito mais feliz depois de ter estado duas semanas em contacto com os velhinhos». «Aprendi muito com eles», por serem pessoas «mais experientes da vida» e terem tanto para ensinar com as suas histórias, conta. «A juntar a toda a aprendizagem, levo uma super família comigo», frisa. Também Maria Millan disse estar a adorar a experiência e revela ter aprendido a «saber escutar e a utilizar os gestos e o olhar para comunicar». «Quando ajudas e amas os outros, amas-te a ti», é assim que Alex Martinez vê o voluntariado e o caracteriza.

Foto | Rita Santos Batista
Revisão | Catarina Correia Martins