O diretor técnico do Centro Paroquial de Assistência do Juncal, Lúcio Alves, escreveu um pouco daquilo que foi o ontem e é o hoje da instituição. Partilhamos o seu texto.

Foi no início da remota década de 60 do século passado que um grupo de paroquianos, representativo das necessidades e expectativas da população, se congregou à volta da sua paróquia, no sentido de dar resposta à necessidade de ter na comunidade uma “assistência sócio-caritativa” que melhorasse a condição de vida das suas gentes, assente nos valores da caridade e da educação. Inicialmente a sua atividade passou por ações de formação religiosa, cívica e doméstica das jovens da freguesia, tendo mais tarde, em função de novas necessidades, passado a acolher durante o dia, no espaço do salão paroquial, crianças de pequena idade durante o período de impedimento dos pais por motivos profissionais. Seria o início daquilo que hoje é o Centro Paroquial de Assistência do Juncal (CPAJ), uma instituição que ao longo dos anos tem servido a comunidade, através de respostas sociais e atividades que promovem o bem-estar e o desenvolvimento social e comunitário, e que, no passado dia 19 de março, Dia do Pai e de São José, celebrou o seu 60.º aniversário.

Em jeito de agradecimento, simbólico, e não sendo possível a celebração habitual, mais “festiva”, por força do estado de emergência que vivemos, o CPAJ fez chegar a todas as instituições, famílias e colaboradores uma mensagem do Papa Francisco, que exorta à ternura como «instrumento de trabalho» imprescindível e determinante. «Nunca deixeis que o passado vos determine a vida. Olhai sempre para diante. O sentido profundo da vossa história até ao dia de hoje, é sobretudo a chave para enfrentar o futuro. Sede sempre de Cristo na oração, no cuidado dos seus irmãos mais pequeninos. Não tenhais medo de participar na revolução a que Ele vos chama: a revolução da ternura». Nesse dia, ao fim da tarde, foi celebrada a primeira Eucaristia no pós-confinamento, a Festa por excelência! Na mesa do altar foram colocados todos os dons que esta instituição tem trazido à comunidade, todos os colaboradores que a têm tornado uma casa exemplar, os que já partiram e os que presentemente dão de si em cada dia. Foram lembrados também todos quantos contribuíram de alguma forma para tornar realidade estes 60 anos de história, párocos, corpos gerentes, benfeitores e amigos; tem sido graças à generosidade, trabalho e dedicação de muitos que esta casa se destaca na Comunidade Paroquial do Juncal.

Sendo Dia do Pai, foram recordados todos os pais que já partiram e que, à semelhança de José, tanto contribuíram para que os filhos crescessem felizes. Por todos os pais, que o são hoje, nestes tempos conturbados e incertos, foi feita uma oração, para que não desanimem e encontrem em São José, a força e o amor necessários para abraçarem a sua missão. A celebração foi no adro da igreja, para dar possibilidade a um maior número de pessoas de participar, e houve a excelente colaboração do Grupo de Jovens, nos cânticos, tendo sido, no final, cantados os parabéns à instituição.

Recorde-se que o CPAJ possui atualmente as respostas sociais de creche, pré-escolar e ATL, gabinete de apoio à família e de projetos, conta com cerca de 30 colaboradores, e dá apoio a cerca de 160 famílias. A médio prazo a instituição pretende aumentar a sua capacidade em creche, avançar com a criação de um Centro de Apoio Familiar e de Aconselhamento Parental e promover o acolhimento familiar de crianças e jovens privados do seu seio familiar.

A importância das pessoas nas seis décadas

Presidente por inerência, o padre António Cardoso lidera a direção do CPAJ, desde há cerca de três anos, quando chegou à paróquia do Juncal. Neste 60.º aniversário da instituição, o pároco disse a O Portomosense que, apesar de ser presidente, a gestão do dia-a-dia acaba por ser feita pela equipa que trabalha e não tanto pela direção e, a propósito, tece vários elogios quer ao diretor técnico, Lúcio Alves, quer a toda a equipa que o acompanha, garantindo que fazem com que os corpos sociais se sintam «bem com a gerência daquela casa».

Sendo uma das instituições mais antigas do distrito do seu âmbito, o padre António Cardoso considera que o CPAJ tem sabido reinventar-se nas suas ações e que tem conseguido construir «equipas jovens», quer no trabalho do quotidiano, quer também nos corpos sociais. Neste momento, a direção, além de ser composta por «pessoas jovens, tem também uma ou duas pessoas que têm filhos na creche [da instituição], o que é uma mais-valia porque sabem dar valor às duas partes», afirma o presidente.

António Cardoso acredita que o segredo para manter uma instituição deste cariz durante tantas décadas, começa «pelas pessoas que estão à frente dela e, depois, sem dúvida alguma, conta com a população, onde se inserem também as famílias que fazem uso daquela casa e que contribuem para que ela esteja de pé. Os colaboradores são também muito importantes». Sendo do senso comum a importância que a instituição tem para a comunidade envolvente, o pároco diz que é também muito acarinhada pela mesma: «Sendo uma instituição de cariz paroquial, isso leva a que as pessoas se sintam incorporadas na instituição e vice-versa. E segundo consta, tudo começou por vontade da população, a certa altura. Foi sempre uma coisa que se foi mantendo, este sentir da instituição como algo seu, como algo da terra», considera. Prova disso é, na sua opinião, a forte participação da comunidade na Eucaristia que comemorou os 60 anos do CPAJ, que «se fez presente para apoiar a iniciativa da celebração».