Da Liberdade ao apagão

8 Maio 2025

No passado dia 25 de abril comemorou-se a Liberdade em Portugal, e recordou-se a Revolução dos Cravos, de 1974.

Pelas 11h30 do dia 28, segunda-feira, o país ficou “desligado” pelo maior apagão de sempre, e foi possível perceber o grau de dependência que temos relativamente a outros países da União Europeia. Foram 10 horas sem luz e sem telecomunicações, durante as quais as pessoas saíram às ruas, conversaram, foram à praia e/ou ao supermercado. Fez-me recordar a Era que precedeu o aparecimento dos telemóveis e da internet. Rapidamente se soube que a falha era geral, que também estava a afetar Espanha, e que se poderia dever à desconexão do sistema de interconexão europeu, em França.

O país parou! Dos Hospitais aos tribunais e conservatórias, passando pelos Bancos, por algumas rádios, pelos transportes e pelas escolas, sem esquecer as farmácias e a própria rede SIRESP (que afeta Bombeiros, INEM e PSP), praticamente todos os sectores foram afetados. Os pais tiveram que ir buscar os filhos às escolas. Os semáforos deixaram de funcionar, e ocorreram engarrafamentos no trânsito. Embora a energia elétrica estivesse reposta em praticamente todo o país pelas 00h00 do dia 29, os problemas com a rede móvel ainda se mantiveram por uns dias.

Notícias falsas foram amplamente partilhadas nas redes sociais, apontando para uma onda de ataques cibernéticos por parte de grupos russos apoiados pelo Estado; para um fenómeno atmosférico raro; para um avião de combate a incêndios, que teria danificado uma linha de muito alta tensão em França; e até para a possibilidade de ficarmos entre 72 horas a 10 dias sem eletricidade.

“Mas como é que Portugal não tem um plano alternativo para fazer face a este tipo de situações, permitindo que fiquemos sem luz e sem comunicações durante tanto tempo?”, era a questão que me passava pela cabeça, enquanto aquecia o meu jantar em banho-maria, e pensava nos alimentos que tinha na arca, em processo de descongelamento. A resposta veio junto com a luz, mais tarde. «Já estamos a trabalhar, designadamente com a REN para reforçar a capacidade de prevenção e resiliência de forma a evitar a repetição de ocorrências como estas», disse o primeiro-ministro, Luís Montenegro. A ver vamos!

Nesta edição d’O Portomosense, damos-lhe nota das ocorrências mais recentes, a par de algumas iniciativas que foram decorrendo ao longo desta quinzena.

Boa leitura. Voltamos a encontrar-nos na próxima edição.