O Ginásio O2 e a DiArteDance voltaram a estar em destaque em duas competições de dança, com a conquista de várias medalhas e com o apuramento para as fases seguintes, que se irão realizar respetivamente em Itália e Espanha no verão.

Falta de recursos inviabiliza presença em europeu

Adriana Lourenço é professora de acrodance (dança acrobática) no Ginásio O2, na Moitalina, desde 2017, quando foi criada a primeira turma da modalidade. Começou apenas com oito meninas, hoje são mais de 50, com idades entre os 5 e os 17 anos. «Para o número de horas que treinam [entre duas a três vezes por semana] tenho miúdas que conseguem fazer muito». E a verdade é que conseguem mesmo. Na primeira vez que participaram no All Dance Portugal trouxeram para casa sete medalhas, três de ouro e quatro de prata. A performance das 39 atletas – algumas das quais sem nunca terem pisado um palco desta dimensão – não passou despercebida aos jurados da competição que juntou, em Santa Maria da Feira, entre 2 e 4 de abril, mais de mil alunos de 83 escolas do país.

As cinco coreografias levadas a concurso permitiram ainda carimbar a passagem à fase seguinte: o All Dance Europe que vai decorrer, em Roma (Itália), de 27 a 31 de julho. Apesar do feito conseguido, as bailarinas não vão poder marcar presença nas finais da competição e tudo por falta de recursos financeiros, como explica Adriana Lourenço: «Elas portaram-se super bem, tiveram resultados ótimos mas vamos devagarinho porque é muito dispendioso e não há apoios». Calculando o valor das inscrições, da viagem, da estadia e da alimentação, a que se soma o facto de todas as atletas serem menores de idade e por isso terem que ter alguém a acompanhá-las, a professora de acrodance garante que a presença no Europeu não iria ficar a menos de 500 euros por atleta, um valor incomportável para alguns pais. «Há miúdas que percebem, outras nem tanto mas eu tento sempre transmitir o espírito de equipa», frisa.

As coreografias apresentadas na competição ficaram igualmente apuradas para o Mundial (All Dance World) que irá acontecer em Orlando (Estados Unidos da América), entre os dias 24 e 27 de novembro, mas também neste não vão participar, exatamente pelas mesmas razões. Para já, fica a promessa de que vão «continuar a trabalhar» e quem sabe se no próximo ano não poderão finalmente concretizar esse sonho.

DiArteDance faz angariações de fundos para ir ao mundial

Com sede em Porto de Mós, a escola de dança DiArteDance, da qual fazem parte 120 alunos, fez-se representar no campeonato do mundo, o Dance World Cup, através de cinco modalidades distintas (contemporâneo, ballet, neoclássico, sapateado e acrodance) e conquistou nove medalhas (sete de ouro, uma de prata e uma de bronze). Na competição que se realizou, de 8 a 12 de abril, em Matosinhos, participaram 35 bailarinos, dos 6 aos 16 anos, 30 dos quais passaram às finais que se irão realizar em San Sebastián (Espanha), de 24 de junho a 2 de julho. «Não estávamos à espera que quase toda a gente fosse passar à fase seguinte», confessa a diretora da escola, Diana Vala. O sentimento agridoce é facilmente justificado: quanto mais atletas forem apurados, mais dinheiro terá que se juntar, uma tarefa difícil tendo em conta os «muitos custos envolvidos» e a falta de apoios. «São coisas extremamente dispendiosas que os pais vão ter alguma dificuldade em suportar», considera.

Desde o início do ano que têm feito várias angariações de fundos e apesar de as expetativas serem «boas» Diana Vala não esconde a possibilidade de ter que haver um esforço financeiro extra por parte das famílias. «Até à data temos conseguido sempre angariar na íntegra o valor para a ida das crianças, sendo que os pais têm que arcar com o próprio valor mas, pela primeira vez, acho que não vamos conseguir um valor tão avultado», reconhece. O facto de o local onde se irá realizar as finais estar localizado numa estância turística também não ajuda e já obrigou a fazer opções: «Normalmente prezamos a proximidade da estadia ao local da competição, para que os alunos se cansem o menos possível, mas desta vez não vai ser possível».

Apesar das dificuldades, a decisão de ir já está tomada. A responsável pela DiArteDance garante que estão a poupar «onde podem» mas admite que «o que pode acontecer é os pais ainda terem que pagar algum valor correspondente aos filhos». «Era isso que não queríamos», desabafa.