O médico estomatologista portomosense, David Ângelo continua a fazer história. Em apenas três anos e meio torna-se no primeiro português a integrar as sociedades europeia e americana de cirurgiões da Articulação Temporomandibular (ATM), que reúnem alguns dos maiores especialistas mundiais nesta área. Em setembro de 2018, recém-concluído o doutoramento, ingressou na sociedade europeia fruto de um já respeitado trabalho de investigação e da prática cirúrgica cujos resultados clínicos foi partilhando com os seus pares. Agora, em 2022, e já com o currículo bastante mais enriquecido tanto ao nível da investigação, como da prática cirúrgica, prepara-se para entrar na sociedade americana depois de ter sido referenciado a esta por três dos seus membros.

Na sequência de uma «análise criteriosa» ao percurso académico e profissional, aos artigos científicos publicados e às técnicas cirúrgicas aplicadas pelo cirurgião, o conselho científico da sociedade americana «reconheceu e elogiou o contributo científico que este tem dado para a área da ATM pelos vários trabalhos científicos que tem desenvolvido na área, nomeadamente sobre a regeneração do disco articular, técnicas cirúrgicas minimamente invasivas e um protocolo único a nível mundial de recuperação pós-operatória destes doentes», que permite que esta ocorra de forma mais rápida e com resultados mais duradouros. Após uma entrevista realizada em dezembro, David Ângelo foi convidado a apresentar um artigo original no encontro deste ano da ASTMJS que decorre a partir de hoje e até sábado, em San Diego, na Califórnia (EUA), refere em comunicado o Instituto da Face, de que é diretor clínico.

Na nota enviada à nossa redação, David Ângelo afirma que «pertencer à sociedade americana de cirurgiões da ATM significa passar a poder discutir diretamente os casos clínicos mais complexos com cirurgiões reconhecidos internacionalmente». «O protocolo de recuperação foi um dos meus projetos mais elogiados na entrevista com os especialistas da sociedade americana da ATM. Para além dos artigos científicos, apresentei mais de 500 cirurgias que realizei com dois anos de acompanhamento comprovado», afirma. «Para a apresentação final vou levar um trabalho sobre o processo de recuperação da mastigação nos primeiros 30 dias após a cirurgia da articulação temporomandibular».

Esta disfunção é uma patologia incapacitante dos músculos da mastigação e/ou da articulação temporomandibular (área onde a mandíbula se articula com o osso do crânio), mais comum em mulheres entre os 20 e os 50 anos. Além de dores intensas no maxilar e na face, a disfunção pode comprometer a mastigação dos alimentos, bloquear a articulação e/ou limitar a abertura da boca.

Investigação aliada à prática cirúrgica

David Ângelo, 36 anos, licenciado em Medicina, pela Faculdade de Ciências de Saúde da Universidade da Beira Interior e doutorado em Cirurgia Maxilofacial pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, alia a investigação científica à prática cirúrgica e clínica. Professor Auxiliar Convidado na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e investigador no Centro para o Desenvolvimento Rápido e Sustentado de Produto, do Politécnico de Leiria, é também diretor clínico do Instituto Português da Face, entidade que, segundo revelou o presidente da Câmara de Porto de Mós, está a equacionar a hipótese de instalar um centro de investigação na freguesia de São Bento.