Depressão Kristin: eletricidade já foi reposta em todo o concelho

26 Fevereiro 2026

Jéssica Moás de Sá

Quase um mês depois da passagem da depressão Kristin pelo concelho de Porto de Mós e pela região voltamos a fazer um balanço da resolução de problemas que dela resultaram. O vice-presidente da Câmara, Eduardo Amaral, lembra que a «rede de abastecimento de água foi praticamente restabelecida desde o primeiro momento, garantindo rapidamente um serviço essencial à população» do concelho. «Com arte, engenho, trabalho de equipa, conhecimento e muita dedicação dos nossos serviços», frisa. Já nos outros domínios, houve um trabalho mais extenso a fazer, algum dele já concluído, nomeadamente no que diz respeito à eletricidade: «A rede elétrica encontra-se, ao dia de hoje (24 de fevereiro), totalmente reposta, estando todas as habitações novamente com fornecimento assegurado». «Permanece apenas por concluir a reposição integral da iluminação pública, cuja regularização está já em curso», esclarece. 

Eduardo Amaral destaca e agradece «à E-Redes pela sua intervenção, capacidade de mobilização e profissionalismo demonstrado sabendo nós todas as dificuldades que assolaram o distrito e as suas dificuldades em responder». «O trabalho desenvolvido no terreno, muitas vezes em condições particularmente adversas, foi decisivo para que o fornecimento de energia fosse restabelecido com eficácia e segurança», garante. 

Comunicações ainda não estão a 100%

«No que respeita às comunicações e serviços de Internet, os trabalhos encontram-se numa fase bastante adiantada, mas não reposta na totalidade», revela Eduardo Amaral. O vice-presidente refere tratar-se de «uma área particularmente sensível, que exigiu uma articulação constante e uma insistência determinada junto das entidades competentes, para acelerar procedimentos e assegurar a reposição do serviço com a maior brevidade possível». E apesar de não se encontrar finalizada, «ao dia de hoje a normalização está praticamente consolidada». 

Os estragos nos espaços públicos e a dificuldade para arranjar 

O Município continuou, durante a última quinzena, a realizar um «levantamento exaustivo de todas as instalações desportivas dos clubes e municipais bem como culturais, edifícios públicos, escolas e instituições». Estes equipamentos «encontram-se a funcionar de forma provisória, mas segura, garantindo a continuidade das atividades, estando já elaborados os respetivos orçamentos que permitirão avançar para a recuperação plena e definitiva dos espaços». 

No entanto, Eduardo Amaral evidencia a dificuldade que a autarquia está a sentir, mesmo com «o planeamento e os levantamentos realizados», em encontrar «empresas disponíveis para iniciar imediatamente as obras de recuperação». «Estamos a trabalhar ativamente para agilizar este processo, mantendo contacto permanente com fornecedores e empreiteiros, de forma a que os trabalhos possam avançar o mais rapidamente possível, garantindo qualidade, segurança e cumprimento dos prazos de recuperação», ressalva.

Apoio social “mantém-se”

Além de Porto de Mós continuar a ter um Centro Logístico de apoio à Região de Leiria (a funcionar nas Oficinas Municipais, na Corredoura), que visa «apoiar os concelhos mais afetados e demonstrando que, perante a adversidade, a resposta se constrói em rede e com sentido coletivo», a ajuda continua também à população do concelho. «O apoio social continua a ser uma prioridade e uma realidade concreta. Através dos nossos serviços, das juntas de freguesia e de grupos sociocaritativos, temos ajudado a reconstruir casas e vidas, apoiando famílias e cidadãos que mais precisam e garantindo que ninguém é deixado sozinho perante a adversidade», diz o vice-presidente. 

Além «da reposição dos serviços essenciais», a autarquia «tem prestado um acompanhamento ativo às empresas e habitações afetadas pela tempestade». «Mantemos todos informados sobre os apoios disponíveis, temos disponibilizado material e equipa para auxiliar no preenchimento das plataformas de candidatura, esclarecer dúvidas e garantir que os cidadãos e empresários acedem de forma rápida e correta aos incentivos e fundos de recuperação», detalha. 

Derrocadas e deslocamentos de terras “todas analisadas”

«Quanto às derrocadas e deslocamentos de terras, as situações foram todas devidamente analisadas e avaliadas tecnicamente, encontrando-se reunidas as condições para se iniciarem as intervenções necessárias à sua estabilização e recuperação», informa Eduardo Amaral. A situação mais complexa é, sem dúvida, a estrada EN 243 «entre o Livramento e Alcaria que depende da Infraestruturas de Portugal» e para a qual não existe prazo de concretização (como se pode ler aqui). 

8 milhões de euros

O esforço «global de reposição, estabilização e requalificação dos danos causados representa para o município um investimento estimado em cerca de oito milhões de euros», incluindo, de forma abrangente, todos os estragos. «Este valor espelha bem a dimensão dos danos sofridos, não incluindo os danos particulares, mas também a nossa determinação em recuperar com qualidade, segurança e visão de futuro», ressalva Eduardo Amaral. O vice-presidente garante que o executivo segue focado «na reconstrução, com responsabilidade, rigor técnico e o compromisso firme de devolver à nossa comunidade as condições que merece».

Agradecimento às autoridades e população

No «rescaldo deste comboio de tempestades importa expressar um profundo e sentido agradecimento a todos os que estiveram na linha da frente da resposta: Proteção Civil Municipal, Bombeiros de Porto de Mós, Mira de Aire e Juncal, GNR, equipas de Sapadores, funcionários do Município e juntas de freguesia», agradece o vice-presidente, destacando a «dedicação, coragem, espírito de missão e capacidade de coordenação demonstrados». «O seu profissionalismo e a disponibilidade evidenciados, muitas vezes em condições particularmente exigentes, são motivo de enorme orgulho para todos nós», reforça. 

Neste período difícil «é justo reconhecer o trabalho incansável dos nossos presidentes de junta e as suas equipas que estiveram no terreno desde o primeiro momento». «Apoiaram populações, sinalizaram ocorrências, articularam meios, acompanharam situações urgentes e deram resposta onde muitas vezes a resposta demorava a chegar. Foram o primeiro ponto de contacto de muitos cidadãos», salientou. 

O vice-presidente deixa também uma «palavra de reconhecimento muito especial» à Rádio Dom Fuas «cujo papel foi verdadeiramente exemplar». «Num contexto de incerteza e preocupação, assumiu-se como uma voz segura e próxima da população, assegurando informação rigorosa, atualizada e acessível em permanência», afirma, ressalvando o seu papel na «divulgação de avisos, recomendações e orientações, contribuindo decisivamente para a tranquilidade pública e para a eficácia da resposta no terreno». 

«Este reconhecimento estende-se igualmente à nossa comunidade. Foi no espírito solidário, responsável e colaborativo que soubemos olhar uns pelos outros, agir com serenidade e encontrar soluções. A forma como a nossa população respondeu, colaborou e acreditou demonstra a força coletiva que nos caracteriza», conclui. 

Foto | Rafael Duque

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