Nesta altura do ano em que o calor começa a apertar e a vontade de sair para aproveitar o sol e os dias de praia está mais presente é importante que os cuidados sejam redobrados para que a saúde não fique comprometida. O sol afeta sobretudo a pele, o maior órgão do corpo humano, e é preciso que este esteja protegido ao máximo para evitar consequências prejudiciais, porque, como dizem os entendidos na matéria, “a pele não esquece”, ou seja os riscos que se correm hoje contribuirão para os problemas futuros. Fotoenvelhecimento, sinais malignos e a utilização correta do protetor solar foram alguns dos tópicos explicados pelo dermatologista portomosense, António Poças, que esteve à conversa com O Portomosense.

O especialista que trabalha atualmente no Centro Hospitalar de São Francisco, em Leiria, está nesta área há 43 anos e considera que, «hoje, as pessoas estão mais conscientes dos problemas que existem» e, por isso, também têm outra atenção que não tinham antigamente, considera, acrescentando que o verão é a época do ano em que as pessoas mais procuram o dermatologista.

O médico começa por explicar os principais problemas dermatológicos relacionados com a exposição solar desprotegida e excessiva, mencionando o fotoenvelhecimento como uma das consequências das radiações ultravioleta que estão em contacto com a pele, ou seja as rugas, as alterações de pigmentação, as rosáceas, entre outros, são problemas que derivam essencialmente deste fator ambiental, que apesar de ter uma «ação positiva na aquisição da vitamina D», também é responsável por «originar vários danos na pele, diminuindo ainda as defesas do sistema imunitário», adianta. Existem também as queratoses actínicas, que correspondem às lesões pré-cancerosas, como explica o dermatologista, podendo transformar-se em cancro caso não se tomem cuidados acrescidos. Quando se trata de um tumor na pele, António Poças alerta para o facto de este matar em pouco tempo, quando não é diagnosticado precocemente, daí a importância de se estar atento a sinais com alterações, nomeadamente de cor ou bordos irregulares e com dor ou comichão, realça. «A observação feita por um profissional da pele é o único método de diagnóstico de sinais malignos», reforça o dermatologista, acrescentando que nos casos em que se suspeita de um melanoma, os utentes são operados e posteriormente é mandado o sinal para análise para averiguar com maior precisão a gravidade do problema.

Cuidados devem começar nas crianças

Atualmente há soluções para muitos dos problemas dermatológicos provocados pela exposição solar , no entanto o melhor remédio passará sempre pela prevenção, logo na fase inicial da vida de uma pessoa. António Poças frisa que é em criança que os cuidados devem começar, para impedir o aparecimento de doenças na pele.

Evitar escaldões, com a utilização frequente do protetor solar aquando da exposição e redobrar os cuidados nas horas de maior calor (entre as 10 e as 16 horas), são algumas das dicas preventivas deixadas pelo clínico. António Poças reforça ainda que é preciso estar mais atento à faixa etária dos mais novos, uma vez que estes ainda estão em desenvolvimento e, portanto, não têm as mesmas defesas que os adultos, pelo que estão menos protegidos. Assim, todos os cuidados a ter num adulto devem ser redobrados numa criança, cujos molonócitos (células produtoras de melanina responsáveis pela pigmentação da pele) são ainda escassos, existindo em pequena quantidade, oferecendo uma menor proteção natural. O dermatologista avança ainda que estas células têm maior expressão em pessoas mais escuras. «Na Europa, as pessoas têm, por norma, menos melanócitos do que os africanos», que em contrapartida têm bastantes, exemplifica. O sol e as radiações ultravioleta, por sua vez, vão provocar «uma maior transformação dos melanócitos, que se encontram ainda na camada da epiderme» e, por isso, António Poças destaca mais uma vez a importância da proteção solar que tem a função de impedir a produção acentuada de melanócitos, controlando dessa forma o bronzeamento e evitando escaldões, realça.

20, 30 ou 50 no protetor solar, afinal o que isso significa?

A ideia de que o protetor solar de fator 50 protege mais que os outros afinal não é verdade e «todos, independentemente do número que apresentam, protegem o mesmo», quem o revelou foi o dermatologista António Poças, acrescentando que esse valor está relacionado com o tempo de proteção e não com a qualidade da mesma. O especialista frisa que não existe nenhum protetor solar que seja eficaz durante o dia todo sem necessidade de mais aplicações. O de fator 50 protege durante 50 minutos, o de 30 garante meia hora de proteção e é desta forma que se deve olhar para os números que se encontram nestes cremes, alerta o dermatologista. Desta forma, deve fazer-se uma nova aplicação a cada valor indicado na embalagem, sendo que este corresponde ao tempo de proteção.

Proteção controlada, pele menos afetada

Das 10 às 16 horas, a luz difusa, sobretudo na praia, que vem da areia e da água é, também ela, muito agressiva para a pele. Mesmo sem sol podem existir queimaduras caso não haja proteção, porque a luz difusa tem muitos ultravioleta, diz o especialista, acrescentando que o bronze mais saudável pode ser mais lento, mas não prejudica a pele, proporcionando a produção de melanócitos de uma forma regular e sem queimaduras.

Revisão | Catarina Correia Martins