Depois de terem sido conhecidos os resultados das últimas análises feitas pela associação ambientalista Oikos à qualidade da água da bacia hidrográfica dos rios Lis e Lena, O Portomosense quis saber junto do Município de Porto de Mós como se encontra a situação no concelho, uma vez que os valores dos resultados divulgados relativamente ao Rio Lena referem-se, na sua maioria, a zonas do concelho da Batalha.

«Em termos do parâmetro “enterococos intestinais”, que de deve estar entre 100 e 200, nós temos 161 [nas análises já efetuadas] em 2021 e 110 em 2020», revelou ao nosso jornal o presidente da Câmara, Jorge Vala. De acordo com o autarca, a situação do Rio Lena desde a nascente até entrar no concelho da Batalha «é estável», havendo, no entanto, um ponto que requer mais atenção, a zona da Anaia – um dos pontos onde é feita a recolha da água para análise – «onde o parâmetro “E-coli” regista um valor de 398, o que é um pouco fora daquilo que é a normalidade», mas muito longe dos números registados em troços já fora do concelho, explicou. Jorge Vala admite que estes valores na zona da Anaia «possam, eventualmente, resultar de infiltrações da rede de esgotos na rede de águas pluviais», garantindo que o Município tem estado a acompanhar a situação e envidar todos os esforços «no sentido de eliminar ou, pelo menos, minimizar» estas infiltrações.

Assim, sublinha o presidente do Município, «temos hoje indicadores como o rio praticamente nunca teve nos últimos 10 anos», justificando este cenário mais favorável com o «cuidado e maior civismo por parte das pessoas», a par do «investimento do Município na resolução dos conflitos que existia na rede de saneamento básico com a rede de águas pluviais».

A monitorização do rio em conjunto com as forças de segurança, «nomeadamente com o SEPNA [Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente] da GNR», é também um dos cuidados que a autarquia tem tido, no sentido de «a qualidade da água que é entregue na Batalha ser idêntica àquela que Porto de Mós recebe na nascente», explica Jorge Vala. «Temos também tido o cuidado sistemático de manter o rio com água», e também o de «alertar as autoridades sempre que existe uma eventual anormal descarga [poluente]» e «algumas delas foram comunicadas ao Ministério Público».

Segundo o autarca, quando se olha para o Rio Lena no seu todo (desde a nascente até se unir ao Rio Lis) há que ter a noção de que congrega realidades bem distintas e no caso de Porto de Mós «devemos estar orgulhosos» dos resultados revelados pelas análises. A situação, no seu entender, não é perfeita, mas está bem diferente daquela que existia há vários anos, e os números estão bem longe, para melhor, daqueles, por exemplo, que a Oikos obteve nas análises que fez noutros pontos já fora do concelho.

Relativamente à questão de o rio nem sempre estar limpo de plantas invasoras, Jorge Vala garante que «não tem a ver com a falta de vontade de limpar», mas com o facto de na época de nidificação das aves e de reprodução de outras espécies animais que vivem no rio ou junto às suas margens nada ali poder ser feito precisamente para não perturbar esse ciclo.

Isidro Bento | revisão