Este ano, o distrito de Leiria preparou-se com mais meios humanos e materiais para enfrentar a época dos incêndios rurais. O Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) está no terreno desde 15 de maio e no essencial mantém a mesma configuração. Já o aumento de meios passa, essencialmente, pelas Equipas de Intervenção Permanente (EIP) existentes em vários corpos de bombeiros, num total de 195 bombeiros e 39 viaturas. Há, ainda, a hipótese de ficarem disponíveis mais meios, uma vez que há seis EIP a aguardar aprovação superior.

O DECIR de Leiria arrancou com a mobilização de 552 elementos (entre 15 e 31 de maio). No mês de junho foi reforçado com mais oito operacionais e agora, com a entrada na fase mais crítica, passa a contar, a partir do dia 1 de julho, com 637 elementos e assim se manterá até 30 de setembro. Em condições normais, a perigosidade tenderá a diminuir nessa altura do ano pelo que o dispositivo sofrerá também uma redução, ficando mobilizados 556 operacionais. De julho a setembro, o distrito conta com «três meios aéreos sediados em Figueiró dos Vinhos, Pombal e Porto de Mós, podendo ser mobilizados outros de distritos limítrofes, caso se torne necessário».

Estes e outros números foram revelados pelo comandante distrital de operações de socorro, Carlos Guerra, durante a apresentação do DECIR para o distrito de Leiria, que teve lugar no passado dia 6 de junho na cidade do Lis. Na altura, o responsável afirmou que «o grande objetivo é debelar os incêndios na sua fase mais nascente e o mais precoce possível». Nesse sentido, é pedido aos operacionais que combatam «com rapidez e segurança», tendo como missão primeira a defesa das populações mas sem se colocarem a si próprios em situações de perigo evitável. A preocupação com o meio ambiente será a segunda prioridade.

Lembrando que, de acordo com dados da GNR, «cerca de 65% dos incêndios têm causa humana, seja negligente ou intencional», Carlos Guerra defendeu que, cada vez mais, a aposta passa pela «prevenção de comportamentos de risco e pela deteção precoce dos incêndios» e, neste último caso, o sistema de videovigilância da floresta, que já cobre 98% do território da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria e está em crescimento na Comunidade Intermunicipal do Oeste (que abrange alguns dos concelhos do sul do distrito), é uma excelente ajuda, considera.

Bombeiros do Juncal fora do DECIR

Os Bombeiros do Juncal não participam este ano no DECIR distrital. Em declarações ao nosso jornal, o presidente da associação humanitária local, Carlos Rosário, explica que a ausência se deve a dois motivos: «A necessidade de acautelar a segurança dos bombeiros e, por outro lado, à falta de resposta por parte da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e da Câmara Municipal de Porto de Mós a três exigências que lhes foram colocadas».

Quanto à segurança dos bombeiros, segundo o responsável, há uma regra interna da associação que determina que os elementos agregados quer à EIP, quer aos serviços de saúde, só podem participar neste tipo de dispositivo «à sexta-feira à noite ou ao sábado», porque depois de um dia de trabalho não estão nas melhores condições para ir para um incêndio.

“É irresponsável deixar ir para um fogo uma pessoa que está cansada”

«Eu só assino os papéis se forem estudantes ou pessoas que estejam em férias e que tenham condições para poder estar no dispositivo à noite», diz Carlos Rosário, frisando que «é irresponsável deixar que uma pessoa que acabou o seu último serviço às nove da noite, vá depois de um dia de trabalho, pegar numa viatura com cinco elementos para ir para um incêndio», correndo o risco de, por acumulação de cansaço, «sofrer um acidente de trabalho ou de viação».

O dirigente associativo diz que, neste contexto, não assume «a responsabilidade caso aconteça algum acidente grave» e que não quer ter um comportamento que na sua ótica poderá até ser «criminoso». Carlos Rosário afirma, ainda, que estes dispositivos, por norma, «são de âmbito nacional» e que o compromisso do corpo de bombeiros é em primeiro lugar «com o concelho e a sua segurança» e para isso o fundamental «é ter os meios para prestar o socorro às populações em caso de necessidade e não a participação em dispositivos nacionais».

Quanto ao segundo motivo, o responsável escusou-se a revelar o que a associação exige da ANEPC e da Câmara, sublinhando, apenas, que em devido tempo «foi comunicada formalmente a ambas as entidades» a indisponibilidade para participar até que as exigências apresentadas sejam satisfeitas. «Enquanto não forem esclarecidas os bombeiros do Juncal não entram em Equipas de Combate a Incêndios, nem em Equipas de Apoio Logístico ao Combate, nem em qualquer outro dispositivo, seja ele com duas, três ou quatro pessoas», assegura. «Quando quiserem resolver o problema (que tem a sua gravidade), nós cá estaremos para o resolver. Estou à espera de uma reunião com ambas e só se não acontecer é que todos irão saber [as três reivindicações]», conclui Carlos Rosário.

Foto | Isidro Bento