O Museu Industrial e Artesanal do Têxtil (MIAT), em Mira de Aire, comemora hoje o seu segundo aniversário. Inaugurado já durante a pandemia de COVID-19, o museu esteve fechado durante seis meses, por restrições impostas pelas autoridades de saúde. Apesar disso, teve já patentes seis exposições temporárias, além da permanente que conta um pouco da história dos têxteis naquela vila do concelho de Porto de Mós. Até ao dia 19 de junho, pode ser visitada a exposição fios ou des(a)fios? da artista Guida Fonseca e, a partir do mês de agosto, está prevista uma outra de tapetes de Arraiolos. Durante o dia de hoje, as entradas são gratuitas.

Pandemia e falta de apoios criam dificuldades

O fundador e proprietário, José Paulo Batista, disse a O Portomosense, que «foram [dois] anos muito difíceis»: «Houve uma grande falta de ajudas oficiais, falta de empenho também das autoridades locais numa das exigências que eu tinha pedido, o estacionamento. Passado este tempo, ainda continua por concluir, embora já esteja a 90%. Não se percebe porque é que uma obra que pode demorar dois ou três dias a acabar, demora três ou quatro meses, é incompreensível. Além disso, da parte do Turismo e do Governo, as ajudas foram nenhumas. Nestas circunstâncias, é muito difícil, conseguir levar uma obra destas por diante. Mas, de qualquer maneira, pelo meu feitio e pela minha maneira de ser, eu hei-de conseguir, mesmo sem ajudas», afirma.

Além da falta de ajudas por parte das entidades oficiais, José Paulo Batista considera que, também a população, não apoia o projeto. «A população local não aderiu», afirma, revelando que em datas específicas quis encetar parcerias com «os bombeiros, com a igreja, com a comissão de festas», para que, em determinados dias, «a receita das entradas pudesse reverter a favor dessas organizações», porém «a adesão é muito pouca». «Não sei o que se passa. Talvez haja muito pouca sensibilização das pessoas para os museus, mas acho que devia ser quase obrigatório que as pessoas de Mira de Aire conhecessem aquele espaço, porque, ali, conta-se muito da nossa história», conclui.

Com Inês Neto Silva