Um surto de COVID-19 na Associação de Bem-Estar da Cruz da Légua, na freguesia de Pedreiras, conta já com cerca de duas dezenas de infetados, metade deles colaboradores e a outra metade utentes. De acordo com declarações da diretora técnica, Ana Cruz, ao nosso jornal, os números podem entretanto sofrer alterações, uma vez que estão ainda a aguardar resultados de alguns testes. Ana Cruz salvaguardou também que os utentes estão, na sua maioria, assintomáticos, à exceção de dois que foram aconselhados a ir ao hospital «para exames complementares de diagnóstico», ainda que os sintomas que apresentavam não oferecessem «grande risco».

Tudo começou em meados de novembro, quando uma colaboradoras, nas testagens semanais realizadas, deu positivo. Nesse momento todos os utentes e os funcionários foram testados, surgindo mais um positivo entre os trabalhadores, mas com todos os idosos negativos. «Infelizmente, estas situações, quando chegam, alastram-se rapidamente e, nas semanas seguintes, apareceram mais seis colaboradoras positivas», refere a diretora técnica. Os idosos voltaram então a ser testados, tendo cerca de uma dezena sido já infetada com o novo coronavírus. Os idosos infetados estão em isolamento e os colaboradores em casa, sendo que alguns deles já voltaram ao trabalho, depois de um segundo teste negativo.

Ana Cruz ressalva que, «desde o início da pandemia, o tema tem sido uma preocupação enorme para a instituição» e que todas as normas têm sido cumpridas. «Sempre que havia uma suspeita de alguma coisa, mesmo que fosse um contacto distante, [no caso dos funcionários], a colaboradora ficava em casa 14 dias para termos a certeza de que não havia nenhum problema. Fizemos isto durante meses. Os utentes vinham do hospital e cumpriam a quarentena com todo o rigor. Infelizmente nesta altura somos vítimas, mas estamos a tentar tudo para travar este processo», frisa.

A diretora técnica assegura que a instituição tem mantido contacto com as famílias, assim como com as autoridades locais e distritais de saúde e proteção civil. No lar está já uma funcionária das equipas de retaguarda constituídas pelas Segurança Social, para assegurar o serviço aos utentes. «Os espaços já foram desinfetados pela Proteção Civil e tem havido uma colaboração do Município na cedência de testes rápidos para serem utilizados caso haja necessidade», informou a diretora técnica. Na próxima semana todos os utentes e funcionários voltarão a ser testados.

Catarina Correia Martins e Jéssica Moás de Sá