Duas notas

by | 30 Nov 2021

Embora haja mais vida para lá das reuniões de Câmara e das sessões da Assembleia Municipal, como já deve ter percebido quem é leitor regular deste espaço, atribuo grande importância ao trabalho que é (ou não) ali realizado, pelo contributo fundamental pelo impacto que tem ou pode ter no desenvolvimento do concelho e no bem-estar da população. Daí que, com alguma regularidade, esse mesmo trabalho seja aqui alvo de atenção embora deixando claro de que se trata de uma mera opinião pessoal e, nessa medida, terá o valor ou a qualificação que cada um lhe quiser atribuir.

Nesta primeira sessão “a sério” coube, por ausência (justificada) da presidente, ao primeiro-secretário, António José Ferreira, a responsabilidade de dirigir os trabalhos e penso ser consensual que o fez de forma exemplar. É certo que teve a vida bastante facilitada por parte dos deputados municipais mas nas raras vezes em que as coisas se podiam ter complicado soube responder à altura e de forma segura. Mesmo quando numa das situações tudo indicava que tinha a razão do seu lado [a propósito do método escolhido para a realização de determinada eleição] fez questão de «devolver a palavra à Assembleia» (uma expressão por vezes evocada mas nem sempre tida em conta) e assim matou à partida qualquer polémica.

Os trabalhos decorreram com toda a normalidade, de forma rápida mas sem pressas, e de um modo geral os deputados municipais disseram ao que vinham também sem delongas. Fosse sempre assim, sem a necessidade de vários elementos da mesma bancada dizerem basicamente todos o mesmo e teríamos uma Assembleia muito mais interessante. Com o Natal quase à porta acreditemos que será assim que acontecerá no futuro.

 

O presidente da Câmara, Jorge Vala, aproveitou a inauguração do miradouro do Chão das Pias e do mural construído na sua envolvente para tecer fortes críticas ao ICNF, na presença do seu diretor regional. A realidade parece dar razão ao autarca mas mesmo assim há que não perder de vista a ideia de que nem sempre será possível compatibilizar a vontade do Município com a do ICNF, até porque muitas vezes os critérios de um não são os critérios do outro. Por outro lado, e tal como Jorge Vala denunciou, ambas as entidades integram o aparelho do Estado mas muitas vezes trabalham em velocidades bem diferentes e isso também tem de ser tido em conta.

É natural que o ICNF faça resistência a algumas coisas, não será natural que o faça a outras, por isso, a via do diálogo será a mais indicada para se tentar um consenso e o recurso à “denúncia” e ao “confronto” públicos a derradeira arma para fazer mexer as coisas.

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