E por que não um percurso pedestre inclusivo?

by | 29 Jun 2021

Um destes dias tive a oportunidade de fazer uma pequena parte de um percurso pedestre algures na freguesia de São Bento. Fui até onde as forças e o bom-senso me aconselharam a ir e isso, de facto, correspondeu a muito pouco do percurso, talvez um quilómetro e meio, mas foi o suficiente para me fazer sentir em plena natureza e, se calhar, partilhar das mesmas sensações e bem-estar dos muitos que já o fizeram na totalidade. E o que é que isto tem de especial dado tratar-se de uma mera experiência pessoal e muito específica? Nada, mas foi o suficiente para me despertar para algo em que nunca tinha pensado.

Tal como eu gosto de me aventurar pela natureza (se é que andar um quilómetro ou dois por um trilho da serra possa ser classificado dessa forma), certamente que outros, com menores ou maiores limitações físicas, também terão gosto idêntico ou, nalguns casos, não se importariam de passar por essa experiência. E neste grupo incluo todas as pessoas que de algum modo tenham a sua mobilidade condicionada e tanto podem ser deficientes motores como idosos ou, até, alguém que por acidente ou doença está, em determinado momento, limitado em termos físicos.

Ora, muitas pessoas nesta situação nem sequer dão o primeiro passo porque não sabem o que vão encontrar e temem os eventuais problemas e contratempos. Perante este cenário e tendo, de facto, como base alguma experiência pessoal, dei por mim a pensar que seria interessante Porto de Mós, um dia, lançar um ou dois percursos pedestres inclusivos ou, pelo menos, dar a conhecer melhor as características dos muitos já existentes, para que na posse dessa informação, uma pessoa com mobilidade condicionada decida se parte ou não à aventura por serras e vales portomosenses.

Confesso o meu desconhecimento nesta matéria mas julgo que a haver no país este tipo de oferta será escassa e/ou mal divulgada, pelo que representaria para nós uma oportunidade para, mais uma vez, sermos pioneiros ou perto disso. Cada vez mais parece consensual entre os nossos políticos e até entre os operadores turísticos que Porto de Mós tem tudo a ganhar se ao nível do turismo apostar em nichos de mercado. É claro que não me vou inspirar no nosso grande Futre e dizer que, caso se venha a apostar na criação destes percursos pedestres inclusivos ou na “adaptação” de um ou outro dos já existentes, «irão vir charters de turistas chineses» ou de qualquer parte do mundo a começar pelo nosso próprio país, mas acredito que se não tivermos ainda aqui um nicho de mercado, também não perderemos nada se enveredarmos por este caminho. Mesmo que os turistas demorem a chegar, esta oferta será sempre uma mais-valia para a população local que embora limitada na sua condição física goza dos mesmos direitos e deveres dos cidadãos ditos saudáveis.

Na mesma linha de criar oferta turística para públicos muito específicos parece-me de todo pertinente que Porto de Mós comece a pensar num nicho ou, se calhar, já, segmento de mercado, que me parece em crescimento: a terceira idade. Aqui, há ainda a vantagem de que o que for feito em termos de acessibilidades poderá beneficiar todas as pessoas com mobilidade condicionada e se estas chegam mais longe, mais tempo passam no nosso território.

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