Em Entrevista… Ana Bacalhau

by | 7 Jun 2022

A artista Ana Bacalhau subiu ao palco do Cineteatro de Porto de Mós no passado dia 11 de maio, não apenas para cantar, mas para debater temas como os estereótipos de género, a igualdade e o feminismo. A escolha dos tópicos a abordar foi feita pela cantora, convidada pela Betweien para fazer parte de um dos seus projetos educativos. No final da apresentação do projeto pedagógico de promoção de igualdade de género e de oportunidades, inserido no programa da Semana da Juventude de Porto de Mós, O Portomosense esteve à conversa com a artista. Ser mulher no mundo da música, colocar nas letras a alma feminina e as suas inquietações e passar uma mensagem do poder da liberdade para os mais jovens, foram algumas das ideias deixadas por Ana Bacalhau, em discurso direto.

Qual a importância destas temáticas para si enquanto artista e para as suas músicas?
São importantes porque tenho um ponto de vista não só humano, mas feminino. É assim que eu vivo, é assim que eu me vejo e que ajo e, portanto, tudo o que seja debater estereótipos, igualdade e feminismo importa-me como ser humano e, depois, reflete-se na minha música de certa forma. Deolinda [a banda a que pertenceu] era um projeto visto pelos olhos de uma mulher, esta personagem feminina via e analisava a sociedade. Nas minhas músicas a solo, por exemplo a Sou como sou retrata especificamente o peso que se coloca no aspeto físico das mulheres. Tem sido sempre muito natural ao longo da minha carreira, as canções vêm ter comigo ou eu chamo as canções sobre estas temáticas.

Como é ser mulher no mundo da música?
É gratificante. Já houve tantas mulheres antes a quebrar barreiras para, hoje em dia, eu sentir que em palco sou absolutamente livre de fazer o que eu quiser. No entanto ainda há consequências para uma mulher em ser absolutamente livre na vida e no palco. Aceito-as, sabendo que quanto mais as transgredir, mais estou a facilitar a vida às mulheres que vierem a seguir a mim. Há este passar de testemunho, de geração em geração, e quero que quem venha a seguir a mim tenha a vida mais facilitada, mas ainda há coisas a melhorar, nomeadamente o peso da idade. Para uma mulher que está em palco, [a idade] não pode pesar tanto, não pode pesar nada, tem de ser leve até. Quanto mais velha, fico mais coisas tenho para dizer e mais maturidade tenho para as dizer.

O que significa o projeto Desafiar Estereótipos, apresentado em Porto de Mós?
Significa plantar sementes. Eu deixo aqui umas sementes e eles levam isso para casa e aquilo fica a germinar. Mas a palavra que eu gostava que eles retirassem daqui é mesmo “liberdade”, porque é a base de tudo, de tudo o que é bom. Estas cabeças jovens estão agora a afirmar-se, a afirmar as suas identidades e a sua visão do mundo e, por isso, conversar com eles acerca deste assunto é muito gratificante.

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