Em Entrevista… Jorge Vala

by | 23 Jun 2022 | Festas de São Pedro 2022

Nesta entrevista, o presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, fala sobre o regresso «ansiado por todos» das Festas de São Pedro. As dificuldades vividas durante os últimos dois anos, a importância social e económica do evento e a programação deste ano são alguns dos temas abordados pelo autarca. Jorge Vala considera que está tudo alinhado para «trazer muita gente» e para que as Festas sejam um sucesso.

Qual a importância do regresso das Festas de São Pedro?
As Festas de São Pedro são um ponto alto da união das pessoas do concelho de Porto de Mós e dois anos sem Festas tiraram-nos muito do que é a sociabilização das 10 freguesias do concelho e das pessoas que gostam de participar e de se envolver ativamente. Este regresso é um dos pontos altos deste início de mandato porque o anterior terminou precisamente quando já tinham passado dois anos sem Festas e sem um conjunto vasto de eventos. Deixámos de fazer o Festival Viver, deixou de haver festas populares nas freguesias e portanto, durante este tempo, acabámos por estar condicionados ao nível da coesão social e territorial.

Estas vão ser as festas como as conhecemos ou as pessoas ainda vão estar um pouco inibidas?
Já percebemos que não estamos livres da COVID-19 e, não estando livres, vamos ter que manter algumas defesas. A retoma da atividade não é normal nem pode ser como antes, há pessoas que vão continuar a ter os naturais cuidados, haverá outras que nem tanto, mas penso que será uma grande festa, com uma mobilização muito forte da população. Veremos qual será o impacto que a subida de preços, sem a natural compensação na subida de ordenados, terá. Não vai haver a disponibilidade financeira que já existiu no passado, mas não me parece que isso impeça as pessoas de ir às Festas, até porque têm cariz popular, não há custos de entrada, continuamos a fazer esse esforço para que as pessoas do concelho e os forasteiros possam fruir verdadeiramente. As Festas de São Pedro estão implantadas com este conceito e não o queremos alterar.

Foi difícil congregar as associações com este propósito, depois de dois anos em que passaram por muitas dificuldades?
Não, antes pelo contrário. As associações responderam de uma forma bastante ativa e com o propósito de estarem presentes. Acredito que esta retoma da atividade tenha “falta de óleo”, há o peso da paragem, mas, de facto, quer as associações que vão participar nas tasquinhas, quer as restantes que vão participar noutras atividades, estão até ansiosas que venham as Festas e vão estar empenhadas em proporcionar boas atividades. Não houve a adesão que tem havido nas marchas populares, vamos ter cinco, ainda assim, estas querem fazer um dia de marchas à antiga.

Quando foi eleito, voltou a referir que fixar pessoas era o seu principal objetivo. Este tipo de eventos contribui para isso?
Este tipo de eventos contribui para reforçar o peso de Porto de Mós no todo da região. Ninguém gosta de viver numa terra que não seja reconhecida por si e por quem pretende vir para cá viver. A afirmação “viver em Porto de Mós é bom” é fundamental para tomar a decisão de vir para cá e as Festas de São Pedro, naturalmente, são um reconhecimento muito forte dessa valorização do concelho. Há outros fatores, continuo a achar que se o peso de impostos diretos ou indiretos for diferenciador pela positiva em relação aos concelhos à volta, as pessoas com alguma facilidade optam por vir viver para cá. Se essa pessoa trabalhar em Porto de Mós, mais fácil será. Estamos a conseguir, felizmente, inverter o ciclo de perda [de população], neste momento já somos um concelho com mais de 23 200 habitantes, segundo a PORDATA.

O Nosso Património é o tema desta edição das festas, qual o objetivo com esta escolha?
É o tema do projeto pedagógico que todos os anos é definido em Conselho Municipal de Educação. Temos um património invulgarmente rico e muito pouco conhecido pela nossa comunidade escolar que queremos que seja reconhecido. A Batalha de Aljubarrota é uma das mais importantes da época medieval e muitas crianças do primeiro ciclo não sabem que foi no concelho que aconteceu. Quisemos também relevar a importância dos Muros de Pedra Seca porque não queremos que a candidatura que fizemos às 7 Maravilhas caia, que fique por ali, portanto, editámos o livro, fizemos uma música e agora estamos a entregá-la à comunidade escolar. Temos muito para dar de património construído mas também temos o património natural. É importante que conheçamos as maravilhas que os que cá vêm reconhecem e que nós, que somos de cá, muitas vezes ignoramos e, infelizmente, nalguns casos, poucos, além de desvalorizar, destruímos. Queremos preservar para poder mostrar aquilo que de melhor temos.

Que ligação é que acredita que o concelho tem ao seu santo padroeiro e que valor dá às cerimónias religiosas?
As cerimónias religiosas são a base das Festas de São Pedro, as festas são populares mas, naturalmente, o dia de São Pedro é um dia que se continua a assinalar. Acredito que há uma comunidade cristã que está ligada ao santo padroeiro, nós organizamos uma grande procissão que envolve as paróquias do concelho, na tentativa de afirmar essa tal coesão em torno de São Pedro, mas as cerimónias religiosas têm um caminho próprio. Estando intimamente ligadas às Festas têm importância, embora as festas sejam populares, às vezes até desligadas mesmo deste cariz religioso, nós tentamos afirmar integrando no programa.

Os portomosenses sentem-se todos representados nestas Festas, este é um evento do concelho ou é encarado como uma festa da freguesia de Porto de Mós?
Tenho a certeza que é uma festa do concelho e em boa hora se conseguiram trazer associações de praticamente todas as freguesias do concelho para as envolver nas tasquinhas, na convivência de todas as freguesias, mas sobretudo para sentirem o retorno financeiro, do apoio indireto que as Festas dão. Portanto, penso que estas são as Festas do concelho, em que o movimento associativo se cruza de uma forma amigável e não de competição, como acontece muitas vezes nas atividades desportivas. Este é um momento de estarmos unidos, ligados, de comemorar em alegria e até o orgulho de sermos de Porto de Mós, concelho. Nestes quatro anos tenho o orgulho de poder dizer que desmistificámos muito esta coisa de Porto de Mós ser apenas vila, Porto de Mós somos todos nós. Na origem disso esteve a promoção que fizemos, quer ao concelho quer às pessoas do concelho. Uma promoção feita a partir de vastíssimas ações ligadas ao território mas com base no Castelo que é o nosso símbolo maior. Isso levou a que as pessoas sentissem que, vendo o Castelo de fora, estavam a ver algo que é deles, independentemente de serem de Mira de Aire, do Juncal ou do Alqueidão da Serra. Esta questão tem sido fundamental para as pessoas sentirem “eu sou de Porto de Mós”, mesmo sendo de uma das freguesias. Este é um passo importante para afirmar a coesão territorial mas também a coesão social onde entram todos os portomosenses, sejam de onde forem.

Como avalia o programa desta edição de uma forma genérica?
É o programa possível, mas pensamos que é um excelente programa, que tem integrados todos os géneros musicais. O propósito das Festas tem sido esse: tentar agradar a toda a gente. Este ano tivemos o cuidado de acautelar contratos de princípio que fizemos ainda em 2020, houve artistas que ficaram defraudados e, por isso, retomamos as Festas com alguns artistas que estavam para vir nesse ano, o que não retira qualidade ao cartaz. Volto a dizer, é o cartaz possível dentro de circunstâncias de retoma, mas temos sempre que nos lembrar que o Fundo Social o suporta integralmente sem qualquer receita. Não temos a ambição de trazer cá artistas estrangeiros de grande nome e fechar o recinto para poder cobrar 15 ou 20 euros, as nossas festas não são assim. Temos que fazer aquilo que é o desígnio destas Festas, que são populares, com um bom cartaz, mas que têm no seu todo “o grande momento”, não centrado neste ou naquele artista. Estando bom tempo, vamos com certeza ter dias muito uniformes em termos de público presente. Tivemos também o cuidado de chamar os artistas locais. Vamos dar ao Festival de Folclore o palco número um no primeiro dia, é um dia importante em que vamos assinalar outras coisas, a abertura da Central e da exposição, mas também o retomar das Festas que têm um significado muito grande e prevê-se que venha muita gente. Vamos continuar a ter a Cozinha de Demonstração, que para nós é importante, porque nos diferencia de outras festas com comidas e bebidas. Depois de transportada para cada uma das tasquinhas, e tem-no sido através dos concursos, leva-nos a um patamar elevado. Fizemos uma desinfeção total das tasquinhas e colocámos coberturas novas para que as pessoas se sintam confortáveis e em segurança.

Foto | Jéssica Moás de Sá