Em Entrevista… Luís Trigacheiro

by | 24 Jun 2022 | Festas de São Pedro 2022

Luís Trigacheiro ficou conhecido depois da sua participação no The Voice Portugal na edição de 2020, onde foi o vencedor. O cante alentejano faz parte das suas raízes, uma vez que é natural de Beja, e é o género musical que mais o define. Recentemente lançou o seu primeiro álbum – “Fado do Meu Cante” – que apresentará em Porto de Mós.

Ainda não passaram dois anos desde a participação no programa The Voice Portugal. O que é que mudou na sua vida desde esse momento?
A partir daí mudou tudo. De repente, dou por mim a mudar o meu estilo de vida drasticamente. A ir viver para Lisboa, a deixar a casa dos “papás”, a ter outro tipo de responsabilidades, a conhecer outras realidades e a fazer uma coisa que nunca imaginei fazer, portanto, mudou muita coisa.

Lembra-se do momento em que virou a primeira cadeira? Sentiu o clique de que alguma coisa ia mudar?
Não. Gosto de ir passo a passo e, nesse momento, quando virou a primeira, nem liguei a isso. Virasse uma, virassem duas, virassem todas, não me preocupei. Desliguei-me disso, fiz o que tinha a fazer, quando acabou é que me mentalizei que já estava e que, dali para a frente, ia ser o que tivesse que ser.

São dois mundos muito diferentes, não? Viver em Beja ou em Lisboa…
Sim, completamente. Beja é a minha terra, é o meu berço, portanto, como é óbvio vai estar sempre presente, mas são dois mundos muito distintos e ainda bem que são.

E é possível viver com os dois?
É possível sim, pelo menos para mim tem que ser (risos).

Sempre foi o cante alentejano o género que mais gostou ou gosta de outros completamente diferentes?
Sim. O cante alentejano é a matriz, é por onde começou, mas depois comecei a ir para outros ramos. Dediquei-me um bocadinho ao pop brasileiro, reggaeton, rumba, coisas assim mais populares, mais fáceis de ouvir para quem contrata.

É uma hipótese para si, um dia mais tarde, misturar mais géneros musicais, como fez, por exemplo, a Ana Moura, que ao fado misturou música mais dançável. É possível que siga esse caminho?
Sou uma pessoa que gosta de fazer as coisas passo a passo e fase a fase e não sei se esse tempo chegará, mas como é óbvio, a descoberta e a criação são muito interessantes. Portanto, estou sempre aberto a algo novo, mas tem que me fazer sentido, obviamente.

Atualmente o Luís Trigacheiro é um dos embaixadores de Beja, como o são outros nomes, António Zambujo, Buba Espinho ou Pedro Mestre. Sente-se essa responsabilidade?
Há essa responsabilidade sim, como é óbvio. Essa responsabilidade é acrescida e ela existe sempre, mesmo sem nos apercebermos. Ao fim e ao cabo, de cada vez que saímos de casa estamos a levar o nosso nome e a nossa cidade connosco. Vai acontecer sempre, seja onde for.

Falemos agora do novo disco que tem poucas semanas. Chama-se Fado do Meu Cante, como é que descreve este primeiro álbum?
Será sempre o primeiro, é uma novidade, uma primeira apresentação. É um bocado o descobrir do que é que pode vir a ser o futuro, o que se pode melhorar, o que pode continuar, não é algo definitivo. É uma primeira abordagem, mas tem sempre pernas para andar para a frente e, em vários aspetos, ser limado.

Tem convidados “de luxo”. Nomes como António Zambujo, Carminho, Diogo Piçarra… São poucos os que o conseguem num primeiro disco.
Sim, claro que sim. Considero-me um sortudo por isso.

E chega ao ponto de ter uma moda alentejana composta pelo Diogo Piçarra, não é?
Sim, isso é uma coisa inédita (risos).

Como é que ele se saiu?
Eu acho que se saiu bem. Acho que está com a matriz certa, foi um desafio para ele, que superou, porque ele não estava à espera que essa música viesse a ser utilizada por mim. Ele estava super contente com o resultado final, portanto acho que, acima de tudo, conseguiu superar-se no desafio a que se propôs e isso é muito bom.

Para já a música mais conhecida, o primeiro single é Meu Nome É Saudade. Que músicas é que se destacam mais?
Tenho tido um feedback muito positivo do Amanhã é Melhor, um tema que escrevi com a ajuda do Diogo, o produtor. Tenho tido um feedback muito positivo também do single que lancei antes de sair o álbum Quem Me Vê, com a letra de Tiago Nogueira e composição de Tiago Nogueira e Ricardo Liz Almeida. Não há uma música em concreto que se diga “é esta”. Há ali músicas muito diferentes. Isto também por estarem presentes artistas, compositores e escritores muito distintos, também assim o estilo musical difere, portanto, acho que há material para agradar a gregos e a troianos.

Já se vê com uma carreira a longo prazo ou é passo a passo?
Passo a passo. Vamos começar a pensar no segundo disco, a procurar reportório, a procurar tudo o que faça sentido para um próximo álbum. Procurar uma linguagem nova, uma abordagem diferente, quem sabe. Mas só depois de sair o segundo se pensará no terceiro e assim sucessivamente, que eu não gosto de meter “a carroça à frente dos bois”, como se costuma dizer.

Em relação ao espetáculo que vamos poder assistir aqui em Porto de Mós. O que é que podemos esperar?
Podem esperar os temas todos do álbum, podem esperar mais uma versão ou outra de temas que para mim são referência e que adaptámos como versões que se adequam à nossa linguagem no concerto. E podem esperar boa música e bom ambiente.