Em Entrevista… Manuel Barroso

28 Abr 2021

Manuel Barroso está prestes a completar o seu primeiro mandato como presidente da Junta de Freguesia de Porto de Mós. Nesta entrevista revela que se vai recandidatar por uma força política diferente daquela por que foi eleito, menciona alguns dos projetos que ficaram por executar e fala também sobre o período em que esteve infetado com COVID-19.

Está há quatro anos à frente dos comandos desta freguesia, um mandato que está prestes a chegar ao fim. Qual o balanço que faz?
Faço um balanço muito positivo. Durante este tempo consegui fazer obras em quase todos os pontos da freguesia e, de certa forma, sinto-me bastante realizado. Acho que é bom para qualquer presidente conseguir chegar ao fim do mandato e sentir que cumpriu, na totalidade, o que tinha prometido no período da campanha eleitoral de 2017.

É o seu primeiro mandato e por isso existe a possibilidade de se poder recandidatar. Diz-se que irá concorrer por uma força política diferente daquela por que foi eleito, confirma?
Confirmo que me vou candidatar por uma força política com a qual trabalhei durante quatro anos. Vou concorrer com Jorge Vala (PSD) e estou convicto que vai correr tudo bem. Fora de políticas, considero que qualquer presidente de junta, que tenha estado em funções desde 2017 até 2021, terá que elogiar o atual presidente de Câmara pelo facto de nos ter ajudado e de ter participado connosco. A fatia do bolo que era dividida por cada freguesia, era dividida igual para todos. Acredito que não houve mais para uns do que para outros, mas certamente que uns tinham mais necessidade do que outros.

Existe algum projeto que gostasse de ver implementado mas que ainda não foi possível executar?
Existem uns quantos projetos que gostava de realizar mas que não foi possível concretizar porque o tempo não deu para mais. Como por exemplo, a Fonte do Castelo e a rua que lhe dá acesso que ainda não foram feitas. Tenho ainda uns passeios para finalizar que iam da zona industrial até à Corredoura e a curva do Manjoulo também era para levar passeio. Contudo, penso que ainda durante este mandato vai ter início a construção de passeios na Rua da Boavista, assim como todo o acesso até à Carrasqueira que também irá começar agora e que certamente ficará pronto antes de o terminar. Tenho também a rotunda da Fonte dos Marcos, mas havia uns quantos mais…
Somos muito requisitados. Os fregueses de Porto de Mós não são mais do que os das outras freguesias, mas são mais exigentes e mais urbanos, e por vezes exigem mais do que temos capacidade. Porém, tenho respondido a tudo o que me têm solicitado. Estou sempre presente para realizar todos os trabalhos, seja na limpeza, na manutenção ou no arranjo de caminhos.

Considera que, ao longo deste tempo, os portomosenses procuraram sempre envolver-se na dinamização desta freguesia?
Sinto muito apoio e carinho de todos e acho que as pessoas estão satisfeitas com o meu trabalho como presidente de junta. A Junta de Freguesia está sempre presente, quando acontece um problema e as pessoas comunicam, se não for no próprio dia, no dia seguinte estou aqui para o resolver e isso traz-nos um certo louvor. Às vezes há descontentamento dos fregueses, mas isso não está a acontecer em Porto de Mós. As pessoas entram em contacto connosco para alargamento ou cedência de terrenos, há sempre uma ou outra que é mais complicada, mas muitas têm correspondido.

Recentemente esteve infetado com o novo coronavírus. Como é que recebeu a notícia? De que forma é que isso influenciou o funcionamento da Junta de Freguesia?
Fiz um teste, deu inconclusivo e fui logo para casa. Depois realizei o teste PCR e um dia depois tinha o resultado e era positivo. Nesse momento parece que vai desabar tudo por cima de nós, ficamos tão frágeis, parece que o mundo vai acabar. Existe sempre o pensamento que temos algo dentro do corpo que não deveríamos ter, é uma coisa estranha. Felizmente a minha família deu toda negativo. Não tive sintomas praticamente nenhuns, estive 13 dias fechado no quarto, entregavam-me a comida à porta, fiz o tratamento em casa e as coisas passaram.
As funcionárias da Junta também testaram positivo e foi uma situação muito desagradável, tivemos que fechar a Junta. Durante o tempo em que estive em casa, em isolamento, transferi todas as chamadas da central para o meu telefone pessoal e fui dando resposta às pessoas através do meu e-mail. Nada parou, diariamente tudo trabalhava.

Composta por 26 lugares, a sua freguesia é aquela que, segundo os censos de 2011, possui uma maior densidade populacional. Sente que consegue chegar a todo o lado e ouvir a voz de todos os seus fregueses?
Não é impossível chegar a todo o lado, nós conseguimos, podemos é não realizar o objetivo desse mesmo freguês, ou porque não podemos, ou porque não se deve fazer. De qualquer forma é importante que as pessoas nos chamem à atenção, porque às vezes não reparamos em algumas coisas e acho que é um dever de todos os meus fregueses comunicarem-me os problemas. Eu todos os dias faço o caminho pelas ruas da freguesia e vou vendo as anomalias. Quando consigo ver, resolvo o problema, mas quando não consigo, se ninguém me disser, fica mais difícil.

Por vezes existe a ideia de que os presidentes de Junta passam muito tempo à secretária e, na prática, pouco conhecem os meandros da sua freguesia…
Eu não sou presidente de secretária, sou um presidente de rua. Todos os dias às 7h30 estou com os meus funcionários no armazém, antes de eles partirem para mais uma missão de trabalho. É uma equipa bastante boa e trabalham muito bem. A freguesia de Porto de Mós está toda limpa, mas dá um certo trabalho. Temos adquirido muitas máquinas, desde roçadeiras, peças para o trator e corta-mato para limpar ruas.

A Freguesia de Porto de Mós tem na sua área a vila sede de concelho. Há pessoas que veem nisso uma vantagem e consideram que será até privilegiada porque muito do trabalho que é levado a cabo pelas juntas, aqui será feito pela Câmara. Outras consideram que, pelo contrário, essa situação é limitativa. Qual é a sua opinião?
Por vezes somos beneficiados por estar dentro da sede do concelho, mas somos mais vezes prejudicados. Quando realizamos um evento que é a freguesia que está a suportar, as pessoas nem sabem se é o Município ou a Junta de Freguesia. Eu tento identificar os meus funcionários com coletes, mas mesmo assim confunde-se. Não é grave, pois estamos todos a trabalhar para o mesmo. Mesmo no próprio edifício, todos os dias atendemos entre 30 a 40 pessoas, às vezes até mais, e muitas delas trazem problemas que não são da nossa responsabilidade, mas sim do Município.

Um dos seus objetivos quando chegou à presidência da junta era requalificar todas as fontes degradadas da freguesia. Porque é que para si isso era uma prioridade?
Há coisas muito mais prioritárias, porém, sempre achei que não deveríamos deixar morrer aquilo que os nossos antepassados nos deixaram porque eles tiveram força e vontade para o fazer. Não podemos deixar esquecer isso e também é uma forma de nas aldeias as pessoas se sentirem importantes. Sinto-me bastante realizado por ter recuperado todas essas fontes. Todas elas têm água e a maior parte é potável.

É inevitável falar da situação atual que o mundo atravessa, a pandemia. Quais têm sido as maiores dificuldades com que se tem deparado enquanto presidente de Junta?
Na fase inicial da pandemia nós criámos o programa Vamos por si e enquanto uma das nossas funcionárias atendia as chamadas em casa, eu ia fazer as compras e levava-as a casa das pessoas. Além dos pedidos de mercearia e farmácia, chegámos também a levar botijas de gás, lenha, pellets, etc. Houve uma altura que também não tínhamos pessoas para entregar e aí os escuteiros foram muito importantes, criaram uma linha e uma equipa e fizeram bastantes entregas.
Aqueles que me pediram ajuda e que eu achei que tinham necessidade, ajudei, mas também sei que temos muita gente com vergonha de dizer que é pobre. Nesta fase, acho que é mais importante ajudar as pessoas porque as obras podem esperar, as pessoas é que não.

Antes da pandemia, Portugal estava a enfrentar um dos melhores momentos a nível de turismo, algo que também se refletia em Porto de Mós. Considera que a freguesia tem pontos suficientemente apelativos para atrair o turismo?
O concelho de Porto de Mós, no seu todo, tem sítios que são apelativos a qualquer cidadão, mas a freguesia de Porto de Mós está situada num ponto em que tudo o que está em redor é muito bonito. Há a Serra da Pevide, a Ecopista, o Castelo, as fontes, a Valicova, o Parque Verde, temos tanta coisa à nossa volta. No entanto, ao nível da oferta de estabelecimentos de restauração não estamos assim tão fortes. Os poucos que temos fazem o que podem, mas deveríamos ter mais restaurantes com qualidade.

Se se comparar com as restantes freguesias do concelho, Porto de Mós é aquela que reúne o maior número de associações (20). Como é que olha para a possibilidade de, por causa da pandemia, algumas dessas associações poderem não sobreviver?
Estou convencido de que nenhuma delas vai encerrar, os responsáveis por essas associações não vão desistir. Nós vamos tentar ajudar, mesmo sendo com um valor menor, mas se falarmos nelas todas já soma um valor alto. Existem freguesias com quatro associações e se calhar têm um orçamento superior ao nosso e, claro, podem ajudar mais. Penso que o Município, juntamente connosco, tem que ter aqui um papel importante, em cuidar delas e não deixar que estas pessoas desanimem, porque as associações são a vida das freguesias. Eu já fiz parte de uma associação e sei o quão difícil é, por vezes, governá-la sem dinheiro.

Olhando para as quatro ou cinco principais povoações da sua freguesia, fora da vila, considera que estão todas mais ou menos ao mesmo nível, em termos de desenvolvimento e de qualidade de vida, ou há alguma em que seja urgente investir mais?
Estou convicto de que elas estão todas ao mesmo nível, não entendo que haja uma melhor que outra. Eu sempre dei atenção a todas e não fiz divisão, nem ignorei nenhuma. Procurei cuidar delas todas com o mesmo carinho e respeito.

Na área do que é agora a freguesia de Porto de Mós existiram em tempos algumas das maiores e mais importantes empresas do concelho. Hoje a situação é bem diferente. Fazem falta empresas maiores ou mais empresas ou a esse nível considera que o que há será suficiente?
As empresas que temos são suficientes para empregar esta gente toda, muitas delas não têm é pessoal para trabalhar. Há tanta gente desempregada e no Centro de Emprego está lá tanta gente a receber o subsídio, mas quando as empresas procuram, ninguém está disponível, uns porque estão a tirar cursos e os outros porque não podem.

A Freguesia de Porto de Mós resulta da agregação das freguesias de São João e São Pedro e como tal o seu nome ainda aparece na designação oficial. Apesar do processo ter sido mais ou menos consensual, considera que as naturais rivalidades que havia entre as duas freguesias acabaram com a junção numa única?
Em tempos houve umas certas politiquices, pessoas que não lhes interessava que houvesse esta agregação, mas de lá para cá já não há aquele preconceito de que a freguesia não se pode juntar. Até pelo contrário, nós deveríamos começar a pensar em retirar São João e São Pedro e ficar só freguesia de Porto de Mós até pelo facto de que nas eleições presidenciais deste ano, ter havido alguma confusão com o A e o B e muita gente não saber para onde tinha que ir. Esperamos que até às próximas eleições, essa questão do recenseamento já não exista, porque só dessa forma é que conseguiremos reduzir o tempo de espera para quem quer exercer o seu direito de voto.