Miguel Pinto começou liderar a equipa técnica da UR Mirense no final de novembro de 2021 e desde aí que a formação de Mira de Aire tem tido motivos para sorrir, sobretudo pelos bons resultados, com registo para duas vitórias e um empate, com especial enfoque para o triunfo conseguido no dérbi frente aos vizinhos do Alqueidão da Serra, num jogo épico, com sete golos (3-4) e reviravoltas.

Apesar do registo positivo até ao momento, Miguel Pinto não esconde que quando chegou ao clube os jogadores estavam desmotivados. «Apesar de ter encontrado uma estrutura muito bem organizada, a equipa estava desmotivada. Os jogadores sabiam da qualidade do grupo, mas os resultados não estavam a aparecer», vincou o técnico de 41 anos, que substituiu Luís Neto do comando técnico da equipa.

Na opinião de Miguel Pinto, o bom momento de forma da equipa deve-se, em primeiro lugar, «à vontade do grupo em querer trabalhar», mas também à forma como os jogadores aceitaram as ideias do técnico e «se adaptaram». Depois é «todo um trabalho semanal nos treinos que os jogadores têm conseguido transportar para o jogo, e nos tem levado a estes resultados».

Desde que foi anunciado treinador da UR Mirense, o clube já contratou quatro atletas para reforçar o plantel (Gilmar Júnior, Júnior Seidi, Allan Lino e Gabriel Tobias), uma necessidade para colmatar as lacunas do plantel, mas acima de tudo para acrescentar qualidade.

«Todos esses jogadores, e outros que vieram num período experimental, serviram para definirmos se acrescentavam qualidade ao grupo. A necessidade de reforçar não é prioridade, mas perdemos dois atletas, um por motivos pessoais, e outro que foi jogar para o Oleiros. Como tal devíamos trazer atletas para colmatar essas saídas, mas sempre para acrescentar mais-valia ao grupo de trabalho», sublinhou.

Ainda assim, o técnico fecha a porta a mais contratações: «Neste momento não vai haver dispensas. Entradas não haverá necessidade, apenas e só se forem casos de grande valia para o grupo».

Em termos desportivos, Miguel Pinto quer levar o Mirense à melhor classificação possível, “piscando o olho” também à Taça do Distrito. «No campeonato iremos sempre em busca da vitória em qualquer campo. Planeamos o nosso trabalho semanal em função do próximo adversário, e de que forma lhe poderemos ganhar. Na Taça Distrital, somos um clube que tem um rico palmarés nesta competição, e como tal, queremos passar a próxima eliminatória frente ao SCL Marrazes», assumiu.

As últimas jornadas da Divisão de Honra Lizsport têm sofrido com o adiamento de vários jogos devido à COVID-19, algo que Miguel Pinto encara com normalidade, apesar de causar constrangimentos. «Este vírus anda à solta e está ao virar da esquina. Às vezes planeamos uma situação no microciclo semanal e chegamos ao domingo e não podemos ir a jogo, mas são as circunstâncias que existem neste momento. Temos de ir trabalhando sempre durante a semana da melhor forma. Isto [pandemia] condiciona-nos a nós e aos nossos adversários. É negativo para a competição, mas temos de saber gerir porque pode haver microciclos com três jogos numa semana, e como tal temos de nos adaptar. Espero é que a competição termine da melhor forma e todos os envolvidos de ótima saúde», frisou.

Num campeonato que está muito competitivo e equilibrado, Miguel Pinto aponta a AD Portomosense como um dos principais candidatos ao título distrital, devido ao «forte investimento», mas não esquece a UD Serra, o SC Pombal e o ID Vieirense que também têm muitos argumentos. Assim, o técnico acredita que tudo pode acontecer. «Com estas situações de grupos desfalcados, a competição pode ganhar mais equilíbrio por alguns dos melhores atletas destas equipas serem obrigados a parar devido ao vírus, e enfraquecem o grupo nesse jogo», concluiu.