A proposta levada a reunião de Câmara aparentava ser de aprovação fácil e, de facto, assim aconteceu: os elemento do executivo aprovaram por unanimidade a atualização das quotas anuais dos municípios associados da Agência Regional de Energia da Alta Estremadura (Enerdura). No entanto, “à boleia” da discussão deste ponto, aproveitaram para tecer algumas considerações acerca do trabalho que esta entidade tem desenvolvido e apontar aquilo que no seu entender devem ser os caminhos a trilhar no futuro. Rui Marto, do PS, foi a voz mais crítica mas tanto o vice-presidente, Eduardo Amaral, como o presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, reconheceram que a Enerdura nem sempre trabalhou bem e que ainda há muito para melhorar.

«Quando há um ano o vereador [Eduardo Amaral] tomou posse no conselho de administração da Enerdura, desejei-lhe bom trabalho porque estava lá muito trabalho para fazer e se esta passagem da quota de 997 para 2 992 euros significar o cumprimento desse desejo, não tenho qualquer problema em aprovar, mas se for para manter como esteve durante muitos anos, necessariamente, terei de lhe chamar “mãos largas”», começou por afirmar o vereador socialista dizendo que apesar disso lhe iria «dar o benefício da duvida». «Espera-se realmente que a Enerdura descole daqueles anos negros que teve e que comece a apresentar alguma coisa e, acima de tudo, a justificar a sua existência e não ser uma coisa que está lá dentro do edifício da CIMRL e que ninguém saiba muito bem o que faz», concluiu o autarca socialista recordando que o que se está a aprovar «é o triplicar do valor da quota» apesar de ainda ser «um valor pequenino».

Eduardo Amaral defendeu também o reposicionar do foco da Enerdura para aquilo para que foi criada, nomeadamente, o apoio técnico aos municípios seus associados em matérias de energia, no entanto lembrou que até agora o conselho de administração tem estado a tentar resolver problemas herdados. «A Enerdura tem sofrido ao longo destes últimos anos alguns problemas financeiros que tem conseguido resolver mas quando chegámos havia uma dívida para com os funcionários, o que não faz o mínimo sentido numa entidade gerida por municípios. Sentimo-nos envergonhados e foi uma coisa que decidimos resolver de imediato», disse, em jeito de justificação.

Para o vereador, «agora que se fala tanto de energia, nomeadamente, pelo seu custo elevado, e se procuram as melhores formas de a poupar, a Enerdura tem de prestar outro tipo de serviços aos municípios, nem que seja só o acompanhamento técnico para que depois os autarcas possam tomar as melhores decisões», mas se indicar caminhos de poupança e ajudar a encontrar formas de financiar projetos nesta área, melhor ainda. «O [Eduardo] Amaral tem razão, se os técnicos da Enerdura acompanharem as candidaturas relativas à eficiência energética e se se encarregarem dos diagnósticos no terreno, já não é preciso fazerem mais nada, esse trabalho já justificará o valor que pagamos de quota», considerou Jorge Vala, defendendo também que a prestação de serviços obedeça a uma justa tabela de preços para os associados.

A nível local, a Enerdura prepara-se para fazer a avaliação energética dos edifícios da Câmara, dos Gorjões e das Piscinas comparando-os com outros de características idênticas, por forma a apurar se está a haver um uso eficiente de energia ou se ainda se poderão conseguir mais alguns ganhos a este nível, revelaram ainda os autarcas.

Foto | Isidro Bento