Enquanto houver estrada para andar…

by | 3 Abr 2020

Talvez devesse começar por enaltecer e realçar o papel que a sociedade civil tem tido nos loucos dias que correm, na luta, das mais diversas formas, contra este inimigo silencioso e traiçoeiro que nos mantém em casa, isolados de familiares e amigos, a mais estranha prova de amor que alguma vez pensámos dar por alguém. Talvez devesse começar por falar no extraordinário papel que o poder local, sem exceção, tem desempenhado no acompanhamento desta pandemia tentando encontrar a cada momento as respostas que melhor sirvam a população, ou das empresas que se têm mobilizado para produzir equipamento de proteção e outro para oferecer a quem está na linha da frente, a mais perigosa de todas, a cuidar da saúde e da segurança de todos nós. Talvez devesse começar por quem nas mais váriadas áreas da nossa sociedade e da nossa economia, só não fica em casa porque tem mesmo de trabalhar para que todos os outros possam ter algo para comer, para que possam usufruir de todos os serviços e produtos essenciais à vida.

Perdoe-me toda essa imensa multidão de quem muito nos orgulhamos. De facto, devia, talvez, começar por aí e realçar melhor o muito que cada um tem feito, mas sinto também que devo falar-vos um pouco daquilo que está a acontecer na nossa própria casa. Não o faço por egoismo mas por entender que tenho a obrigação de dizer-vos que estamos cá, sempre, por vós, pela nossa terra, procurando dar o nosso melhor naquilo em que verdadeiramente sentimos que podemos ajudar e fazer a diferença, Mas também entendo ser meu dever (neste caso, orgulho) realçar e enaltecer o trabalho e a dedicação da nossa equipa neste período tão difícil. De todos sem exceção, desde os funcionários das mais variadas áreas ao conselho de gerência.

A noção e prática de serviço à comunidade presente desde a primeira hora neste jornal e na Rádio Dom Fuas mobilizou-nos de imediato para mais esta missão. Nesse sentido, antecipámos soluções que já estavam pensadas mas que não prevíamos pôr de imediato em prática, entre as quais, fazer a partir de casa, de raiz, o jornal que tem agora nas mãos, e assegurar toda a emissão da Rádio Dom Fuas, ao mesmo tempo que mantemos sempre atualizada a nossa página na internet (www.oportomosense.com) e também o nosso espaço no Facebook.

Felizmente, já muito estava feito e por isso foi mais fácil e mais rápido preparar, por exemplo, mini estúdios de rádio em casa de meia dúzia de pessoas, mas o mais fácil não quer dizer isento de esforço, muito pelo contrário, mas fizemo-lo, desta vez ainda mais, com uma noção muito vincada de serviço público. Tivemos de antecipar o futuro próximo em termos tecnológicos e na forma de trabalhar, e pelas piores razões possíveis mas era impensável desistir, voltar a cara ao desafio e, pior que isso, deixar de cumprir os nossos dois principais deveres: informar com rigor, verdade e isenção, e estar lado a lado com a gente da nossa terra.

A pensar em nós, grupo de trabalho mas também em nós portomosenses, termino com este voto de esperança, aliás com esta certeza inscrita na nossa primeira página [desenhada pela jovem portomosense Adriana Lourenço] retirada de um dos temas de Jorge Palma: “Enquanto houver estrada para andar/A gente vai continuar./Enquanto houver ventos e mar/ A gente não vai parar”.