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Enxaquecas: “Adormecia e acordava com dor de cabeça”

25 Maio 2023
Jéssica Moás de Sá

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Jéssica Moás de Sá

25 Mai, 2023

«Isto não é viver, é sobreviver»: foi ao ponto de ter de dizer isto a uma médica que Marisa Dias chegou. Era «raro» o dia que não tinha uma dor de cabeça profunda, que se prolongava durante horas, dias, semanas. De momento, parece ter encontrado a causa, mas até aqui o caminho foi longo e difícil. Desde os 25 anos que tem dores de cabeça fortes (hoje tem 37 anos), que se foram «intensificado tanto na dor como na frequência». «Nessa altura ia ao médico de família, fiz vários exames, TAC’s, supostamente tinha sinusite e fiz tratamento, mas continuei com as dores, aí sim, cefaleias mais intensas», recorda. Ainda assim, este ainda não era o cenário mais complicado. «Após a COVID-19 piorou, provavelmente, por causa do stress, de não poder trabalhar, de ter constantemente clientes a perguntar quando reabria, por estar fechada em casa colada às notícias, ter contas para pagar, emagreci imenso nessa altura», relata.

Nos últimos meses piorou ao ponto de estar «semanas inteiras com dor de cabeça», tomasse o que tomasse de medicação. Nunca deixou de trabalhar. No entanto, admite, foram muitos os dias «que começaram já a desejar que terminassem». Foi no final do ano passado que disse “basta” e que se dirigiu à médica de família com a primeira afirmação deste texto. Marisa estava a «sobreviver» e não a viver. «Quando disse à médica de família que já não estava a conseguir viver assim, ela encaminhou-me para a neurologia para o hospital da Figueira da Foz, mas como estava cansada de tanto exame, decidi em janeiro começar acupuntura, da qual já tinha ouvido falar muito bem» e à qual veio a dar selo de qualidade. No entanto, apesar das melhorias terem sido sentidas, a médica alertou para uma “sentença” vitalícia: «Que ia melhorar, mas que nunca iria ficar sem enxaquecas e quanto mais antigo o problema, mais tempo demora a tratar». Nessa mesma consulta, pediu-lhe para examinar a boca e relacionou as enxaquecas a um problema ortodôntico que se veio a comprovar. Em março passado foi chamada à consulta de neurologia no hospital onde recebeu a confirmação: «Logo no início da consulta, a médica pediu para abrir a boca e disse que 90% das minhas dores era por causa dos dentes e o restante era ansiedade». A partir daqui foi encaminhada para a ortodontista.

Uma vez mais teve pela frente «uma médica cinco estrelas» – assim foram todos os profissionais que se cruzaram no seu caminho, frisa – que a avisou que o que ia fazer «ia doer muito» mas ia ajudar, um tipo de fisioterapeuta chamada Fisioterapia na Disfunção Temporomandibular. «Foram 45 minutos horríveis, não há outra palavra para descrever», relata. A médica garantiu-lhe que, no dia a seguir, Marisa Dias ia ligar-lhe a dizer que estava bem melhor, mas a paciente não acreditou. «Tive que dar a mão à palmatória, saí da consulta desfeita em dores e tonturas, mas no dia a seguir dormi como não dormia há anos e a dor de cabeça passou sem eu me aperceber», detalha. O motivo das suas enxaquecas está, assim, relacionado com uma patologia chamada bruxismo, que faz com que Marisa Dias faça «muita pressão nos maxilares e que leva a que todos os músculos em volta fiquem extremamente contraídos», explicou. Além de estar na fisioterapia ortodôntica e na acupuntura, usa «uma contenção nos dentes para dormir». Ainda assim, sabe que «as enxaquecas não têm cura e todos os médicos até hoje» lhe disseram isso mesmo. Por tudo o que já viveu, ter estas dores em menor quantidade e mais controladas já é um grande passo para «ter mais qualidade de vida». O único lamento de Marisa Dias é o facto de poder ter evitado «muitas radiações, exames, medicações», recomendando que as pessoas não desvalorizem a dor. «Pensem na vossa saúde, deem mais atenção aos sinais do vosso corpo, a vida são dois dias e merecemos vivê-la com dignidade», sublinha.

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