De 6 a 14 de agosto, o Agrupamento de Escuteiros 370, de Porto de Mós, mudou-se de armas e bagagens para a Suíça. Durante uma semana, 73 escuteiros e 14 pais viveram naquele que é um dos principais campos escutistas mundiais, o que todos descrevem como «dias de sonho», «uma experiência única na vida».

A viagem prevista para 2020 só agora, por culpa da pandemia, pôde ser realizada, e para Paulo Santos, o chefe de Agrupamento, «além da concretização de um sonho, acaba por ser como um justo prémio para todos aqueles que muito têm trabalhado em prol do Agrupamento e, em particular, no projeto [já concluído] de construção de uma nova sede».

A atividade foi aberta a todos «desde que passassem por várias etapas, para não irem só por ir». Aos pais foi feito convite idêntico. De fora, ficaram as crianças mais pequenas por se considerar que «eram novas demais para irem para tão longe». Escuteiros e pais, pagaram, cada um, 150 euros. A restante despesa foi suportada pelo Agrupamento, um esforço assinalável, reconhece Paulo Santos, mas que, no seu entender, valeu bem cada cêntimo. A viagem foi feita em dois autocarros alugados e acompanhada por uma carrinha de apoio já que, de Porto de Mós, saíram todos os bens alimentares que fizeram parte da alimentação das 87 pessoas durante essa semana.

A viagem, de cerca de 30 horas, foi dura mas lá chegados, de imediato, tiveram a certeza de que, «só pelas magníficas paisagens dos Alpes suíços, já valera a pena», contudo, o melhor ainda estava para vir. Montado o campo, a primeira coisa que fizeram foi visitar uma fábrica de chocolates. Entre as atividades realizadas durante essa semana, o dirigente destaca as caminhadas em alta montanha pelos escuteiros mais velhos, dirigentes e pais, e os inúmeros jogos didáticos em que os elementos das outras secções «estiveram envolvidos e onde obtiveram excelentes resultados». «Fizemos, por exemplo, uma caminhada de várias horas em que passámos por um glaciar e subimos a mais de 2 700 metros de altitude. Pelo meio, jantámos e pernoitámos numa cabana. Noutro dia subimos ao lago Oeschinensee, um lago enorme que fica em cima de um glaciar e onde dá para tomar banho. Como era difícil, os lobitos subiram num teleférico», conta.

Durante o tempo que estiveram em Kandersteg, todos tiveram a oportunidade de passar pelo menos um dia na piscina local. Pais e exploradores fizeram, ainda, um raide fotográfico pela pitoresca vila. A meio da semana, o padre José Alves, o assistente espiritual do Agrupamento, celebrou missa no campo, cerimónia marcada pela “partida” de três caminheiros, por terem atingido o limite de idade.

No final da semana realizou-se o “fogo de conselho” que envolveu todos os escuteiros, de diferentes partes do globo presentes no campo, e onde os de Porto de Mós participaram «com uma canção muito comum cá» e que os colegas estrangeiros tentaram acompanhar. Na despedida, os mais novos aproveitaram para conviver com escuteiros de outras nacionalidades que ali tinham conhecido, enquanto que os mais velhos (e destemidos) foram fazer uma via ferrata, um itinerário vertical que com a utilização de material adequado permite a pessoas que não sejam praticantes habituais de escalada, subir a zonas de difícil acesso.

Depois de uma semana tão cheia, a despedida foi algo emotiva e o sentimento de ter vivido uma experiência única e, para muitos, se calhar, irrepetível, esteve bem presente no espírito e nas palavras de cada um.

“Todos deviam poder viver um dia o que nós vivemos”

Olhando para esses dias, Paulo Santos, não tem a mínima dúvida de que «o balanço é extremamente positivo». «O nosso papel é ajudar os miúdos a crescer de forma saudável, criar-lhes momentos de alegria, diversão e enriquecimento pessoal e tudo isso aconteceu», diz, deixando claro que «apesar desta experiência ter sido um “prémio” também se fez algum escutismo, embora a ideia principal fosse gozar uma semana um bocadinho diferente, sem grandes stresses». «Desde os mais novos, aos pais, todos disseram ter adorado e isso deixa-nos muito satisfeitos. Para os pais foi algo único porque nunca tinham feito escutismo e ali tiveram a oportunidade de viver um bocadinho daquilo que os filhos vivem», sublinha.

Gonçalo Beato, com dois filhos nos escuteiros, corrobora por inteiro as palavras do dirigente, afirmando que «foi uma experiência ótima, uma daquelas coisas que a gente faz uma vez na vida». Ficou fascinado com «as belíssimas paisagens» que encontrou e viu, nalgumas das atividades em que participou, «autênticas provas de superação pessoal». Tudo conjugado não tem dúvidas: «Aquilo limpa a alma. É um privilégio viver uma coisa assim».

Guilherme Fernandes, de 13 anos, escuteiro desde os 7 anos de idade, realça igualmente o caráter único e enriquecedor desta vivência: «Foi muito “fixe”, uma experiência muito marcante que nos ajudou em muitos aspetos. A mim, ensinou-me que precisamos de muito pouco para sermos felizes. A vida nos Alpes é, de facto, muito mais simples mas consegue ser mais inspiradora, criativa e divertida». «Vim, certamente mais rico enquanto pessoa e escuteiro», conclui, com satisfação. Realizado o sonho, agora é tempo dos escuteiros de Porto de Mós voltarem à realidade do dia-a-dia e recarregarem baterias para os novos desafios que esperam o Agrupamento 370 no ano em que está a comemorar meio século de serviço à comunidade.