Com o confinamento social, muitas das atividades do nosso dia-a-dia tiveram de ser adaptadas para poderem continuar. O escutismo foi uma delas. O Agrupamento de Porto de Mós que, como quase todos no país, reunia com os seus elementos todos os fins de semana deixou de poder fazê-lo e teve de se adaptar à nova realidade para «manter a chama acesa, para os miúdos continuarem ligados», explica o chefe de Agrupamento, Paulo Santos.

Algumas atividades tiveram mesmo de ser canceladas, como é o caso da atividade de verão que iria realizar-se na Suíça, e outras adiadas por tempo indeterminado, como é o caso das Promessas: «Tínhamos marcado para abril, no início deste mês mudámo-las para maio, mas já vimos que não vai ser possível. Não fazemos sequer ideia de quando poderá ser, possivelmente apenas no início do próximo ano escutista. Acho que ninguém sabe, neste momento, adiantar datas para algumas coisa», afirma. No entanto, as reuniões semanais têm sido, de alguma forma, mantidas, com o Agrupamento a funcionar «à distância, mais ou menos da mesma forma em todas as secções, apenas com algumas diferenças por se tratarem de idades completamente diferentes – desde os 6 até aos 22 anos», revela.

Paulo Santos começa por explicar que a I secção, os Lobitos, é aquela com quem «é mais difícil de trabalhar à distância», pela idade das crianças (dos 6 aos 10 anos) e pela própria dinâmica da secção. Assim, «foi-lhes proposto realizarem um vídeo onde estivessem a fazer nós, que tinham aprendido durante algumas atividades, e depois explicarem onde aquele nó é utilizado. Para os pata-tenra [os Lobitos de primeiro ano] foi proposto que fizessem também um vídeo mas a dizerem as leis, as máximas e a oração do lobito, com a finalidade de se prepararem para as promessas», explica. Com os Exploradores, a secção seguinte, têm sido realizados desafios, um deles representar a imagem do fundador do movimento, Robert Baden-Powell, com os materiais que tivessem em casa. Além disso, tem sido trabalhado o Progresso Pessoal de cada um, no cumprimento das várias etapas que têm ao longo do seu percurso. Esta área tem, aliás, sido trabalhada com todas as secções. No caso dos Pioneiros, a III secção, «adolescentes entre os 14 e os 18 anos», de início «toda a gente ficou um pouco perdida, mas passado pouco tempo, eles próprios acharam que precisavam de fazer qualquer coisa ao nível do escutismo», por isso, foram-lhes lançados desafios, um deles «acampar em casa», montaram o seu «abrigo e fizeram um acampamento entre todos, cada qual em sua casa». Na altura da Quaresma, por exemplo, «juntamente com a Equipa de Animação, dinamizaram uma Via Sacra, cada qual em sua casa, online», avança o dirigente. Na IV secção, os elementos têm trabalhado de forma mais autónoma, por serem os mais velhos.

O chefe de Agrupamento revela que «para os que estavam menos ligados ao escutismo», esta pode ser «uma forma de se desligarem completamente», no entanto acredita que para «aqueles que gostam, que são se calhar 90% ou mais, não é isto que os vai fazer desligar». Os chefes têm tentado manter o contacto e para isso têm contado com a ajuda da «própria Junta Central» que vai «mandando alguma informação para podermos trabalhar com eles, desafios, coisas para ver no Youtube». Também a Junta Regional tem garantido o envolvimento e «está a organizar uma atividade regional para a III secção, em maio, para estarem todos online, mas ainda não se sabe bem quais vão ser os parâmetros», adianta.