Foto: Luís Carvalho

Foram mais de mil, as pessoas que vieram de vários pontos do país com o objetivo de degustar os seis pratos que constaram da 5.ª edição do Festival do Galo, que teve lugar a 9 e 10 de novembro, no salão de festas de São Silvestre, Serro Ventoso.

Um deles foi a Paella de Galo, a grande novidade deste ano que fez furor entre os participantes. Prova disso, foi o aumento extraordinário da quantidade confecionada dessa iguaria. Ao invés das quatro pensadas inicialmente, Serafim, o espanhol que a cozinhou, viu-se obrigado a fazer nove. O cozinheiro ficou espantado com a organização do evento e confessou essa surpresa ao presidente da Junta de Serro Ventoso, Carlos Cordeiro, adiantando que para fazer um evento igual em Espanha, ao invés dos 14 euros por pessoa teria que pedir 25. Do país vizinho, na impossibilidade do Alcaide de Vila de Cruzes (município espanhol que realiza há mais de 20 anos um festival idêntico) estar presente, marcou presença um casal da alcaidaria.

Carlos Cordeiro fez, a O Portomosense, um «balanço positivíssimo» e vai mais longe: «Foi o melhor de todos». Os 285 quilómetros que separam Serro Ventoso da Amareleja, no distrito de Beja, podem parecer muito longe a olhares alheios, mas foi precisamente essa distância que o presidente da Junta dessa região do Alentejo fez, para poder marcar presença no Festival. A razão que justifica tamanha viagem é clara, como contou Carlos Cordeiro: «Ele quer fazer lá também um Festival do Galo. Veio buscar inspiração». No momento em que o autarca alentejano demonstrou interesse em reproduzir o evento que é feito em solo portomosense, Carlos Cordeiro mostrou-se disponível para auxiliar.

No recinto do festival, o público teve a possibilidade de visualizar uma pintura feita ao vivo por José Caldeira, tetraplégico, que «pintou com a boca», um momento que foi bastante apreciado pelas crianças que «andaram sempre de volta dele». Além disso, esteve patente uma exposição de 11 quadros elaborados por crianças e idosos das freguesias adjacentes.

O autarca conta ainda que devolveu os quadros às escolas e também esse momento foi marcado por alguma animação e alegria. «Eles estão dentro da sala e começam logo a gritar: “Olha o senhor do galo!”», confessa.

Pessoas vêem evento como tradição

Da ementa fez parte a carne de 300 galos que depois foram aplicados nos mais variados pratos. Para muitos, este evento já é visto como uma tradição, mas há quem seja novo nestas andanças.
É o caso de Maria Eugénia que se encontrava, à data, de férias em Leiria. Foi através da sua tia que soube da existência do evento e confessa que «gostou muito». A emigrante defende que as «tradições se devem manter» e tudo o que pertence às províncias é «tradicional». No momento do almoço, o convívio é certo, até com «pessoas que não se conhece».

Para Salvador Marques, residente em Leiria, o Festival do Galo já é tradição. Há «quatro ou cinco anos» que marca presença mas desta vez, veio em família. Confessa que se tivesse dinheiro, percorreria o país inteiro «todos os fins de semana» para marcar presença neste tipo de eventos.

Se há quem venha para se divertir, há outros que vêem nestas iniciativas, uma forma de conseguir algum dinheiro extra. É o caso de Deolinda Vieira, do Mato Velho, que há quatro anos participa no festival. «Isto é o meu part-time. Vou vendendo o que produzo, que é o azeite, os licores e as ginjas», confessa.

Também o espaço de merchandising da Junta teve alguma azáfama. Entres os vários artigos que lá constaram, houve um que se destacou: «Vendemos muitos jarros de galos, e tivemos um senhor inglês que levou 12 para Inglaterra», conta Carlos Cordeiro, salientando o facto de «isto [festival] já estar a chegar além fronteiras».