Concluída ainda em 2021, a obra de requalificação e restauro da Estrada Romana no Alqueidão da Serra foi agora visitada de forma oficial marcando o fim dos trabalhos. Segundo o presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, este «é um momento importante» para o Município, uma vez que esta reabilitação «vai muito ao encontro da estratégia deste executivo que visa recuperar monumentos». O intuito é acima de tudo «preservar a memória dos nossos antepassados». Quanto a esta via em concreto tem um peso significativo «em termos históricos, integrando a rota do turismo militar», uma vez que por este troço «passaram as tropas de D. Nuno Álvares Pereira antes da Batalha de Aljubarrota» e também um peso «do ponto de vista arqueológico». O autarca salientou ainda que o turismo militar «não foi muito desenvolvido em Porto de Mós» e que, agora, esse é um objetivo, aproveitando «a história muito forte» do território. Jorge Vala agradeceu ainda à Direção Regional da Cultura do Centro (DRCC), representada nesta visita pela diretora, Suzana Menezes, por «ter acompanhado e apadrinhado a reabilitação deste troço».

Suzana Menezes afirmou que este é «um projeto que, além de emblemático no concelho, é também um projeto» do qual «toda a região centro» se poderá orgulhar. «Este é um bom exemplo do que se pode fazer quando há uma forte e muito cúmplice relação de trabalho entre municípios e a Administração do Património, a DRCC», frisa. A diretora explicou ainda que este foi um projeto «desafiante desde o primeiro momento» mas que foi «muito partilhado, juntando as equipas na análise de toda a intervenção, com base na realidade que este património representa, de quais seriam as melhores soluções para a sua recuperação». Além de «acrescentar do ponto vista cultural, patrimonial e na defesa dos interesses do património da região», esta obra pode ser uma mais-valia, acredita, em termos «turísticos». «A preservação do património cultural é relevante do ponto de vista da memória e da identidade do nosso país, somos sempre fruto daquilo que herdamos mas conseguir transformar essa identidade, por via dos nossos monumentos, num bem de desenvolvimento da região que capitaliza, que torna a região mais atrativa, é do ponto de vista das políticas públicas o que todos mais desejamos», conclui.

A leitura estratigráfica da via

Aproveitando a intervenção do monumento, havia um objetivo mais vasto: fazer a leitura arqueológica da via. «Pretendíamos confirmar, porque havia algumas dúvidas, se era de facto da época romana», explicou o arqueólogo municipal, Jorge Figueiredo. «A partir da estratigrafia conseguimos perceber que as técnicas utilizadas são exatamente as mesmas técnicas do mundo romano, não há dúvidas, a via é romana, o itinerário está relativamente bem conhecido, para onde ia e de onde vinha e assim tivemos uma confirmação material», revela. O troço não foi requalificado na totalidade, apenas 200 metros de um total de aproximadamente 400, representando um investimento de «cerca de 28 mil euros».

Envolver as escolas com o património

Envolver o património na «dinâmica das atividades educativas» está também na mente do Município, indicou Jorge Figueiredo. Neste mesmo dia estava a ser feito «um teste» com um grupo de alunos da Escola Básica do 1.º ciclo do Alqueidão da Serra, de visita também à via, conjugando com outras atividades. «Nós queremos que os alunos das escolas conheçam a história do concelho porque muitas vezes conhecem a história geral do país mas desconhecem a do próprio concelho», frisa Jorge Vala. O Nosso Património é o tema do projeto educativo deste ano letivo e pretende precisamente incentivar a «visita aos monumentos do concelho e pedir aos alunos para trabalharem pedagogicamente todo o património».

Fotos | Jéssica Moás de Sá