Um grupo de jovens estudantes, três deles com ligações ao concelho de Porto de Mós alcançou o 4.º lugar na CFA Research Challenge Portugal, uma das mais exigentes competições académicas na área das finanças, afirmando-se entre os melhores a nível nacional e levando o nome da região mais longe.
A equipa, constituída por David Antunes, Daniel Peça, Francisco Ferreira e Salvador Montez, o único que não é de Porto de Mós, estudantes da licenciatura de Gestão, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) do Politécnico de Leiria (IPL), destacou-se num desafio que simulou o trabalho de analistas financeiros em contexto real.
Em declarações a O Portomosense, os estudantes explicam que o projeto foi desenvolvido ao longo de vários meses, e consistiu numa «recomendação de investimentos sobre uma empresa». O trabalho, incluiu uma previsão do valor da ação em um ano, sustentada em várias dimensões de análise.
Segundo detalham, o estudo foi dividido em «descrição do negócio, posição competitiva, análise da indústria e análise financeira», culminando na avaliação final, que se traduz na componente mais importante. Deste modo, a equipa descobriu «qual é o preço alvo para daqui a um ano». «O trabalho é sustentar esta narrativa do nosso preço é este e o porquê, com base na matemática e também na parte económica», explicou Daniel Peça.
Durante a fase final da competição, realizada no passado dia 27 de fevereiro, na Euronext Lisboa, as equipas finalistas tiveram de apresentar e defender as suas conclusões perante um júri composto por especialistas do setor financeiro. A prova exigiu não só rigor técnico, mas também capacidade de comunicação e argumentação.
Trabalho exigente
Com 20 e 21 anos, os estudantes sublinham que o resultado alcançado reflete o esforço investido ao longo de todo o processo. «É incrível, porque não tivemos aquele apoio que certas escolas tiveram pela maturidade neste tipo de eventos, projetos, atividades. No entanto, empenhámos-nos a dobrar e conseguimos a classificação», referiu Daniel Peça.
Vindos de um contexto menos mediático, «o Politécnico de Leiria não tem a maior notoriedade e reputação dentro de Portugal», os jovens encararam o desafio como uma oportunidade para provar o seu valor. «Como nós somos recém-licenciados, muitas vezes o que falta para mostrarmos serviço é testes. Podemos dizer que isto aqui acaba por ser uma prova do que é que nós somos capazes», acrescentou David Antunes.

A notoriedade das instituições de ensino foi apontada como um dos obstáculos sentidos no início do percurso. David admitiu que, «como a faculdade não tem muito nome, acho que vai ser muito difícil, sem um mestrado, nós conseguirmos ir para uma empresa grande».
Ainda assim, a participação na competição acabou por contrariar essa perceção. Daniel salientou que o projeto já lhe abriu portas e aproximou-o de novas oportunidades, «só o facto de ter este projeto já me gerou oportunidades que tenho a certeza que sem ele não ia conseguir obter».
Orgulho em representar Porto de Mós
Para além da dimensão académica, o grupo destacou o orgulho em representar o concelho de Porto de Mós. Inicialmente, o objetivo passava apenas por testar competências, mas o impacto foi maior do que o esperado. «Nunca pensámos em levar o nome da vila a uma competição nacional. A ideia era só ver como corria», recorda Francisco Ferreira.
Com a evolução do projeto, a responsabilidade aumentou. «Conseguir ser bom representante do que quer que seja é sempre positivo. Fizemos tudo pelo melhor que se esperava, ainda mais do que se esperava, e toda a gente ficou muito impressionada connosco», acrescentou.
Motivados pela experiência, os estudantes já têm novos desafios em vista e pretendem continuar a apostar em competições e projetos na área financeira. Francisco reforçou que «isto é só o início». «Agora vamos continuar neste ritmo. Já há um próximo projeto em vista, começou agora e não vai parar», acrescentou, mostrando-se expectante com o futuro.
Entre candidaturas e novas iniciativas, o grupo quer consolidar competências e afirmar-se num mercado exigente, onde a diferenciação é determinante. A confiança saiu reforçada desta experiência. «Às vezes, numa universidade periférica, achamos que somos menos. Mas vai-se a ver e somos todos seres humanos. Dá para ser mais competente do que quem quer que seja», concluiu.
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