É com o objetivo de «ajudar a “minimizar” o problema do cancro da mama, dar voz e ouvir, através da arte», que a artista têxtil, Inês Carrelhas está a apresentar desde o dia 4 de setembro e até 15 de outubro, no MIAT – Museu Industrial e Artesanal do Têxtil, em Mira de Aire, a exposição de arte têxtil itinerante Mamaminha. Em conversa com O Portomosense, Inês Carrelhas explica que o projeto nasceu em 2018, «entre os corredores do Instituto Português de Oncologia (IPO) e a Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa», altura em que teve e foi tratada de um cancro da mama.

«Comecei a forrar os aros dos soutiens que fui pedindo a amigas e família. Chamei-lhe Mamaminha. Resolvi representar 75 mulheres que tinham sofrido desta doença tão comum e com isso ajudar quem tenha necessidades de apoio, dar voz a esta problemática e sobretudo alertar para a prevenção e para o diagnóstico precoce», explica a artista.

Durante a permanência da exposição no MIAT, inaugurado em maio do ano passado, em que o objetivo passa também por «abranger, pelo menos, metade de outubro, o Mês da Mama, para lembrar este tema e celebrar a vida», serão agendados uma série de workshops e conversas, onde a artista partilhará com outras mulheres, através da arte, «uma experiência lúdica e emocional à volta do seu próprio corpo». Dirigidos a mulheres ou homens que tenham sofrido de cancro da mama, os workshops “Maria.Mamaminha” têm a duração de seis a nove horas, divididos em dois ou três dias com horários flexíveis dentro do horário do museu e datas indicadas.

A exposição de Inês Carrelhas, completada pela participação e testemunhos de mais sete mulheres, já esteve patente no Museu de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa e no The Passenger Hostel, no Porto, e seguindo-se agora o MIAT. «É com grande honra, porque o MIAT é um museu ligado ao têxtil fantástico», refere a artista, que está ligada à tapeçaria e à tecelagem «já há mais de 40 anos». «Fiquei muito contente quando soube que em Mira de Aire abriu o MIAT e que tinha este ano uma exposição de Gisella Santi, que foi uma das minhas mestras de tapeçaria» partilha Inês Carrelhas, acrescentando que, durante uma visita àquela exposição, sugeriu, assim, ao diretor do museu, uma exposição deste seu projeto itinerante.

Se a arte ajuda na vivência de um processo de cancro de mama, Inês Carrelhas não tem dúvidas disso. «A tapeçaria e a pintura, por exemplo, são trabalhos terapêuticos, porque a pessoa está ali concentrada e não pensa noutras coisas, acho que é muito importante as pessoas trabalharem com as mãos», esclarece. Referindo-se aos workshops, a artista têxtil explica que «tanto a tapeçaria como a tecelagem são trabalhos muito ritmados e acaba por haver uma concentração no que se está a fazer, além disso a pessoa fica depois com a peça», indica.

Para participar nos workshops Maria.Mamaminha é necessária inscrição, contactando a artista, via telefone (910180099), e-mail ([email protected]), ou o MIAT (244449269/925986502 e [email protected]).

«Este é um trabalho de forma a dar voz e ouvir pessoas que passam ou passaram pela mesma situação, porque muitas delas estão sozinhas e não falam sobre o assunto, ou não têm com quem falar, ou têm algum receio» explica Inês Carrelhas. «No fundo eu ponho isto muito cru. O problema existe, mas existindo um problema, nós reconhecemos e damos a volta, porque o importante é estarmos cá uns para os outros, é celebrar a vida», reitera.