As fachadas interiores dos claustros de D. João I e D. Afonso V, no Mosteiro da Batalha, vão ser limpas, tratadas e conservadas, um investimento de 581 mil euros, avançou o diretor do monumento, Joaquim Ruivo. «Trata-se, fundamentalmente, de tratamento e consolidação de elementos pétreos das fachadas e decorações dos claustros, impedindo, por um lado, as infiltrações, procedendo, por outro lado, ao tratamento dos sais que deterioram com alguma facilidade o calcário», afirmou Joaquim Ruivo.

Segundo o responsável, «esta intervenção vai, sobretudo, travar a proliferação de líquenes e musgos que, sobretudo nas decorações manuelinas das arcadas do Claustro Real mais expostas aos ventos e chuvas de norte/noroeste, está a ser bastante agressiva, exigindo esta intervenção urgente». Estes trabalhos são comparticipados em 85% e têm um prazo de execução de um ano.

Para este ano também, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, «estão previstas importantes obras de conservação, mas há um prazo de três anos para a sua conclusão e os projetos, estando já em fase de conclusão, ainda não estão lançados», adiantou o diretor. Joaquim Ruivo alertou, no entanto, para um problema que pode atrasar trabalhos futuros: «Um dos problemas que se antevê na dificuldade de gerir as intervenções futuras, curiosamente, não será a falta de recursos financeiros, mas antes a falta de empresas com mão-de-obra qualificada que possam corresponder a todos os concursos que irão ser lançados no âmbito da conservação e requalificação do património edificado».

No mês passado, terminaram as obras de construção da nova portaria de acesso ao monumento, a instalação de uma nova loja e a construção de uma nova portaria de acesso às Capelas Imperfeitas, um investimento de cerca de meio milhão de euros que também foi comparticipado.

Na opinião do diretor do Mosteiro «estas intervenções vieram também alterar um pouco o circuito de visita», permitindo «retirar-se, finalmente, a bilheteira da Igreja, a entrada passará a fazer-se diretamente no Claustro Real, onde foram instaladas as novas portarias e bilheteiras, e daí os visitantes passarão para a Igreja e Capela do Fundador». A Igreja continua a ter «acesso livre e gratuito».

A nova loja foi «instalada no espaço onde até aos anos 80 estiveram instalados os bombeiros, e ficou integrada no circuito de visita», pelo que «será passagem obrigatória para todos os visitantes antes de saírem para o largo exterior», explica Joaquim Ruivo, frisando que esta obra «veio, também, requalificar um espaço que servia como arrecadação e depósito».

Quanto ao acesso às Capelas Imperfeitas, esta era «uma obra há muito tempo ansiada, uma vez que as condições de receção e controlo por parte dos funcionários do Mosteiro eram inapropriadas, sobretudo com mau tempo», salienta o diretor.