Um quarto de século de “vida” de um estabelecimento é um marco importante e foi precisamente esse que atingiu a Clínica Veterinária da Batalha no passado mês de fevereiro. Ao comando do barco está José Eusébio, o médico veterinário que fundou e continua a liderar a clínica. Os animais sempre fizeram parte do seu dia-a-dia: «Vivia com os meus pais na aldeia, tínhamos animais e eu ajudava no trabalho do campo. Os meus tios eram comerciantes de vacas e eu ia com eles às feiras», conta, o veterinário natural de Casal do Meio, na freguesia de São Mamede, concelho da Batalha.

Formou-se em medicina veterinária porque era a sua «vocação», não tem dúvidas disso, até porque chegou a estar inscrito também em medicina, mas a escolha foi fácil. Quando terminou o curso «não tinha emprego», porque esta era ainda uma área em crescimento. Teve uma proposta de trabalho quando acabou a licenciatura para «inspetor sanitário» num matadouro em Beja, mas não era isso que queria fazer. «Eu queria exercer medicina veterinária, por isso decidi ficar pela minha terra, com um futuro incerto. Fiz uns cartões para me anunciar e comecei a ser chamado. Com o passar do tempo, os clientes foram aumentando», conta.

Já com uma carteira de clientes generosa, começou por ter um consultório em casa, que funcionava em pós-laboral. Mais tarde, abriu um consultório com um colega, em Fátima, «o primeiro da zona», até que em 1995, abriu o seu próprio negócio, na Batalha, que agora festeja 25 anos. Até 2017, José Eusébio dava consultas apenas em pós-laboral, porque, durante o dia, mantinha-se como veterinário na Câmara Municipal da Batalha. Chegou a ter, em regime diurno, veterinárias a trabalhar por conta dele, mas percebeu que a maior parte dos clientes esperavam pela sua chegada, depois das 17 horas, porque queriam ser atendidos por ele.

O reconhecimento não foi imediato. Recorda um início «mais complicado» e um investimento muito grande. A pouco e pouco, os clientes que tinha arranjado nos antigos projetos foram passando a palavra, e hoje, o «Dr. Eusébio», como é conhecido, é bastante procurado. A própria medicina veterinária evoluiu muito: «As pessoas preocupam-se muito mais com os pequenos animais, talvez pela própria saúde pública, porque ter um animal em casa implica com a saúde da família e também por existir mais poder económico».

A Clínica Veterinária da Batalha tem um vasto leque de serviços: «Consultas, vacinações, diagnósticos (através de análises, raios X, hemogramas), cirurgias, destartarizações e limpezas de boca, consultas de referência, de urgência e ao domicilio, acompanhamento geriátrico, tosquias e identificação eletrónica», explica. O veterinário garante que não deixa ninguém por atender, mesmo fora do horário de expediente, desde que lhe «telefonem», fazendo também consultas ao domicílio.

O balanço destes 25 anos é de muita satisfação, sobretudo porque faz a sua profissão «por amor», além da necessidade. O feedback positivo que tem recebido traz-lhe um sentimento «de realização pessoal muito grande», naquilo que considera «um serviço público», afirma.