Luís Salgado Matos, jurista, sociólogo e investigador, com raízes familiares no Alqueidão da Serra (Porto de Mós) faleceu esta segunda-feira, vítima de doença prolongada. O anúncio do seu falecimento foi hoje avançado, pelo antigo presidente da Câmara de Lisboa, João Soares, que numa nota de pesar publicada na rede social Facebook lamenta a morte do seu «velho amigo, Luís Filipe Salgado Matos», de quem era também padrinho de casamento.
João Soares recorda que foi contemporâneo de Salgado Matos no Colégio Moderno e na FDL, e que o pai deste, o portomosense Alfredo de Matos, havia sido grande amigo do seu avô, João Soares. O antigo autarca refere que Luís Salgado de Matos «foi um dos numerosos estudantes universitários presos pela PIDE em 1965», e lembra, com pesar pelo seu desaparecimento, «o professor catedrático no ISCTE», o «respeitado especialista em Igreja e Forças Armadas» e o autor da «interessante biografia de Gonçalves Cerejeira».

Entretanto, ao final de tarde de hoje, numa mensagem publicada no portal da Presidência da República na Internet, o Presidente da República destaca que «é já com saudade» que evoca Luís Salgado de Matos que conhece «desde os tempos da Faculdade».

Marcelo Rebelo de Sousa considera que «com o seu desaparecimento, as ciências sociais portuguesas perdem uma das suas vozes mais originais e influentes, que se destacou no estudo das relações entre o Estado e a Igreja, na análise do papel das Forças Armadas na sociedade e na política nacionais e, bem assim, no escrutínio do papel das ordens na estruturação do nosso Estado».

«Além de uma intensa e profícua atividade académica e científica, Salgado de Matos exerceu cargos públicos de relevo, tendo sido Secretário de Estado da Economia no Governo de Transição de Moçambique, e marcou presença, ao longo de décadas, na esfera pública portuguesa, como comentador e pensador atentamente lido e escutado, como analista crítico e independente da nossa contemporaneidade», frisa o mais alto magistrado da Nação que, «evocando uma amizade de muitas décadas» apresenta à família enlutada «as mais sentidas e sinceras condolências».

Além dos cargos já referidos, destacam-se no currículo de Luís Salgado de Matos, a direção do Jornal do Comércio, a presidência do Instituto Português do Cinema e também do Teatro de São Carlos, e passagem, como administrador, pelo Porto de Lisboa. Foi, ainda, consultor do antigo Presidente da República, Jorge Sampaio.Tem vários obras publicadas nas suas áreas de investigação e ainda um romance, prémio de manuscritos do Diário de Notícias.

Refira-se a título de curiosidade que Salgado Matos chegou a morar no Alqueidão da Serra e era ali que nos seus tempos de estudante passava as férias de verão. Das várias visitas ao concelho há a destacar aquela em que participou na homenagem póstuma e inauguração da Biblioteca Alfredo de Matos (uma extensão da Biblioteca Municipal), e mais recentemente no lançamento de “Alqueidão da Serra: História e Lenda, Tradições, Usos e Costumes, obra em dois volumes, que reúne textos de seu pai, Alfredo de Matos, dados à estampa 24 anos após a morte deste, num trabalho coordenado pelo professor alqueidanense, Fernando Sarmento.