Que dificuldades é que os bombeiros do concelho encontraram no seu caminho e quais foram os principais problemas a que foram chamados a dar resposta na sequência da depressão Kristin?
Para obtermos essas respostas procurámos falar com cada um dos comandantes dos três corpos de bombeiros. Apesar das tentativas e da disponibilidade demonstrada, não foi possível recolher o depoimento do comandante dos Bombeiros de Mira de Aire em tempo útil.
Pela sede de concelho, Elísio Pereira começou por nos explicar que «a primeira e a maior dificuldade encontrada foi a falta de comunicações». «Andámos os primeiros dois dias completamente às escuras porque não tínhamos comunicações nem para dentro, nem para fora. Tivemos que definir estratégias de forma a conseguirmos passar a comunicação de uns para os outros e para as várias entidades», refere.
De acordo com o comandante dos Voluntários de Porto de Mós, «em termos de trabalho, o primeiro objetivo foi desimpedir as vias de circulação de forma a conseguir levar o socorro junto das populações de uma forma mais célere». «Com esse objetivo garantido ganhou destaque o apoio em inundações em habitações. «Há prédios com bombas para retirar as águas mas sem energia não funcionam e isso fez com que várias caves e garagens ficassem inundadas». «Não devo andar muito longe da realidade se disser que cerca de 60 a 70% do nosso trabalho foi, precisamente, retirar água destes espaços», frisa o responsável.
«A meio da semana passada, a situação começou a entrar naquilo que é já a rotina mas continuam a existir situações em que é necessário retirar água, assim como proceder ao corte de árvores, principalmente, em vias secundárias, repondo-se, assim, aos poucos, a normalidade», refere.
O trabalho foi muito mas o pessoal disse “sim” à chamada. Desde o dia 26 de janeiro que iam sendo lançados avisos nas comunicações internas para dotar o quartel com meios para reforçar as equipas. «Alguns responderam de forma positiva mas maioritariamente os serviços foram feitos pelos profissionais “da casa” com a extensão do seu horário de trabalho, ou seja, não fizeram as oito horas, muitos fizeram 24 horas de trabalho. Tivemos também voluntários a ajudar mas mais ao final do dia depois de sairem das suas empresas», adianta Elísio Pereira.
«Alguns profissionais tiveram muitas horas consecutivas de trabalho durante alguns dias duros mas fomos capazes de resolver as situações de uma forma adequada dentro daquilo que era possível», conclui o responsável.
Pelo corpo de bombeiros do Juncal o cenário foi sensivelmente o mesmo. José Silva, comandante em regime de substituição disse que aquilo que mais fizeram por trabalharem «numa zona de grande floresta» foi corte de árvores. Também ali a prioridade foi para a «desobstrução de vias para facilitar o socorro em caso de necessidade». As inundações em prédios foi outra constante.
José Silva aponta a falta de comunicações como a principal dificuldade com que os voluntários do Juncal se depararam. «Nós ficámos de prevenção no quartel e às primeiras horas senti essa necessidade quer das pessoas que queriam pedir socorro e tinham que se deslocar até lá, quer de quem andava na rua a detetar situações mas depois se queria comunicá-las à equipa tinha de regressar ao quartel. «Foi muito difícil fazer a gestão dos recursos porque era muito pedido a cair ao mesmo tempo e não havia forma de comunicar de outro modo», sublinha, explicando que naquele cenário «foi necessário começar a definir muito bem as prioridades».
Quanto ao pessoal, José Silva, refere que face aos alertas foi pedido ao pessoal se podiam solicitar dispensa nas suas empresas. Foi o que vários fizeram tendo tido respostas positivas por parte daquelas, o que deixa José Silva muito grato.
Foto | Isidro Bento




