O problema da falha e da falta de telecomunicações nas zonas serranas do concelho é antigo, mas as aulas em casa e o teletrabalho vieram torná-lo mais evidente. Através de um protocolo celebrado pelo Município com a Altice, a instalação da fibra ótica veio melhorar, em muito, a vida das populações no que ao acesso à internet diz respeito, porém há outras necessidades relativas às telecomunicações que ficaram por satisfazer, nomeadamente a cobertura de rede móvel. Foi sobre essas que, na última sessão da Assembleia Municipal, o executivo foi questionado por Tiago Rei, antigo presidente de Junta de São Bento, e pelo atual presidente, Luís Ferraria.

Tiago Rei lembrou que, enquanto fazia parte do executivo da Junta, se debateu por este assunto. «Quando eu estava a terminar o mandato, havia solução para pôr duas antenas de operadoras distintas e ainda fazer uma requalificação, reparação quase completa ou pôr equipamento mais moderno numa antena que está em São Bento, e que é a única», porém «estão a afastar-se estas possibilidades» e «é triste», depois de «tanta luta», deixar de fazer o investimento, referiu. Também Luís Ferraria fez referência a esse «velho problema», alertando ainda para a possível necessidade de alteração do Plano Diretor Municipal (PDM), que dificulta a instalação.

O presidente da Câmara, Jorge Vala, começou por referir que não recebeu «nenhum pedido» das operadoras para instalação de novas antenas, explicando, depois, que «as regras que o PDM tem, neste momento, dificultam em muito essa instalação»: «Habitualmente as operadoras querem colocar as antenas junto dos aglomerados urbanos, mas o PDM diz que têm que distar 100 metros desses aglomerados, mas que têm que estar em zona em que se possa construir. Ora, conjugar estes dois fatores em São Bento, não digo que seja impossível, mas é muito difícil», afirma. «Não temos um instrumento de gestão que nos permita licenciar uma antena que não esteja nas condições e cumprindo as regras que o PDM determina», reforça.

Jorge Vala disse ainda que tem «tentado, junto da Altice, que modernize a antena que está em São Bento, inclusive o Município já se disponibilizou para ser parte da solução. Não houve resposta sobre esta questão específica», adianta. O autarca salienta, no entanto, que «não é a Altice que tem que assegurar o serviço básico de rede móvel», já que «quem ganhou o concurso foi outra operadora, a NOS, que não tem feito investimento no nosso território». O presidente da Câmara lembra ainda que o protocolo, que findou no ano passado, com a Altice era apenas relativo à fibra ótica, que «foi a prioridade». «Enquanto lutámos pela fibra ótica, não nos preocupámos assim tanto com a rede móvel. Hoje a rede móvel é uma preocupação porque já temos fibra ótica», referiu.

Fibra ótica “a 100% até ao final deste ano”

Na última reunião de Câmara pública, o presidente do executivo, Jorge Vala, informou que teve «uma reunião com um operador indicado pela Altice, mas também pelas outras operadoras», para que seja aprovado um protocolo que «irá permitir a cobertura de fibra ótica a 100% até ao final deste ano». O protocolo já cessado, com a Altice, previa apenas uma cobertura a 93%. O autarca frisou que ainda não está assinado «protocolo nenhum», pois ainda é necessário «perceber quais são os termos do protocolo». «Já sabemos que a central de distribuição será em Alcaria, é o sítio mais indicado. Já falámos com a senhora presidente de Junta e o assunto há de ir a Assembleia de Freguesia», revelou o autarca, acrescentando que a pretensão é de que «este processo seja o mais rápido possível» para servir «todo o concelho, onde se incluem as freguesias de Alvados e Alcaria, uma parte de Serro Ventoso e sobretudo o Alqueidão da Serra. Depois há outras franjas que estão incluídas, inclusive a própria Mira de Aire onde há uma parte que não tem o serviço», salientou.

Foto | Jéssica Silva