Fazer o bem, sem olhar a quem

by | 15 Dez 2020

Dar a mão a alguém é, talvez, um dos atos mais nobres que existe entre a humanidade. O significado do gesto em si não se esgota somente no toque de peles. Muito pelo contrário. Dar a mão a alguém é, na minha opinião, uma ação que está carregada de bondade e que vai muito para além do seu sentido literal. Pressupõe ajudar alguém que esteja a precisar de apoio, um pequeno empurrão, e cujo o nosso auxílio seja fundamental para que esse alguém se consiga levantar. Implica dedicar tempo ao próximo, em prol do seu bem-estar e, por vezes, há até quem faça das tripas coração, para que o outro se consiga reerguer e ter uma vida um pouco mais digna. Realmente, o ser humano é capaz de coisas incríveis quando se predispõe a isso. Deixar de olhar apenas para o próprio umbigo, pensando em maneiras de mudar a vida de alguém e consequentemente fazer do mundo um lugar melhor, mais equilibrado, é uma tarefa árdua, que não está ao alcance de todos.

Estamos a exatamente 10 dias do dia de Natal, e por esta altura, é comum sermos bombardeados com pedidos de solidariedade. À medida que esses apelos surgem, crescem também as criticas de quem defende que “se deve ajudar o ano inteiro” e que questiona como é que as pessoas que estão a ser ajudadas conseguem sobreviver o resto do ano. Porém, se por um lado, há quem apenas se mostre solidário nesta altura, há também quem ajude nos 365 do ano. Partindo do Dia Internacional do Voluntariado, que foi celebrado a 5 de dezembro, decidimos trazer até a si nesta edição, três testemunhos de quem de uma forma ou de outra tem dedicado parte da sua vida a ajudar o próximo. Exemplos de resiliência e de quem não desiste à primeira adversidade.

A verdade é que se torna cada vez mais urgente as pessoas despertarem para a solidariedade e começarem a praticar algum tipo de voluntariado. Se essa era já uma necessidade premente, sê-lo-á ainda mais daqui para a frente. A chegada da pandemia veio acentuar as dificuldades de algumas famílias e trazer à tona outras tantas, até agora camufladas. As famílias ficaram mais vulneráveis e o aumento galopante dos pedidos de ajuda são reflexo disso mesmo. No entanto, a pandemia não trouxe apenas nuvens negras carregadas de negativismo e receio, veio mostrar também que a população é capaz de ser muito solidária. Entre pessoas que passaram a ir às compras pelos vizinhos mais vulneráveis e outras tantas que se juntaram para fazer máscaras quando havia escassez desse equipamento de proteção individual, nunca houve uma mobilização tão grande para ajudar.

Fazer o bem, sem olhar a quem: Um ditado popular, tão antigo quanto corriqueiro, mas que nunca fez tanto sentido como agora. Este é o lema de muitos dos voluntários que hoje, por causa do chamado inimigo invisível tendem a ver o seu trabalho redobrado. O voluntariado não pára, nem pode parar. Se isso acontecesse, acredito que aquilo que veríamos, muito provavelmente, aproximar-se-ia de um apocalipse. Mas afinal, quais os sentimentos que fazem mover um voluntário? O que o faz deixar o conforto da sua casa para ir ajudar alguém? A resposta é amor. Por vezes, a vida de algumas pessoas mergulha numa escuridão de tal forma profunda que o amor entregue pelos voluntários é a única esperança que ainda lhes resta para conseguirem sair desse lugar, escuro como breu, onde se enfiaram e a que há muito tempo ninguém consegue chegar.

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