O desafio foi lançado pelo setor de Marcha Atlética da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) e aceite por mais de duas dezenas de pessoas, desde dirigentes associativos, a atletas, passando por autarcas e treinadores. Na noite de 18 de maio realizou-se uma mesa-redonda virtual subordinada ao tema Que modelo de organização de competições em tempo de retoma [ou pós-pandemia] que teve como moderador o técnico nacional de marcha atlética, Carlos Carmino, e como oradores, Eduardo Amaral, vice-presidente da Câmara de Porto de Mós, Inês Henriques, campeã mundial nos 50 quilómetros, Eduardo Gonçalves, presidente da Associação de Atletismo de Santarém, e Artur Domingos, treinador e dirigente associativo com experiência em Portugal e Inglaterra. Intervieram, ainda, figuras importantes como João Vieira, campeão do mundo dos 50 quilómetros, Susana Feitor, atleta olímpica e Paulo Murta, treinador de Ana Cabecinha, atleta, recordista nacional nos 20 quilómetros.

Carlos Carmino, reconheceu que retomar a atividade num contexto de pós-pandemia não vai ser fácil e tudo terá de ser feito com a máxima das cautelas no entanto, defendeu que o regresso deve acontecer num espaço de tempo curto. Assim, é intenção da FPA organizar já em agosto ou setembro algumas provas nacionais, nomeadamente o Campeonato Nacional de Clubes e o Campeonato de Portugal, que servirão para avaliação e de oportunidade para marcas de qualificação para os Jogos Olímpicos [neste caso, mais o Campeonato de Portugal].

Em declarações posteriores ao nosso jornal [o único convidado a assistir a este fórum] Carlos Carmino lembrou que «os atletas de alto rendimento devem treinar e competir regularmente e fazem-no com determinado objetivo, ora se depressa não o têm vai ser muito mau, daí a intenção de retomar algumas provas mais importantes». O modelo preconizado para uma primeira fase é a competição apenas em pista, quatro atletas de cada vez, em sistema de contrarrelógio. Durante a mesa-redonda, Inês Henriques e João Vieira mostraram-se disponíveis para competir mas apenas nos campeonatos nacionais e em provas pontuáveis para o ranking mundial, ou seja, em competições com nível competitivo internacional de acordo com o seu estatuto de atletas olímpicos.

«Estamos numa fase de retoma que, de forma gradual, nos vai conduzir à vida normal e nesse sentido, se houver uma evolução favorável e a Direção Geral da Saúde (DGS) o permitir, a FPA vai querer fazer campeonatos nacionais mas antes disso terá de haver campeonatos distritais», referiu Carlos Carmino. O objetivo é começar pelos mais novos e depois ir alargando o âmbito. Nesse sentido, o técnico nacional de marcha acredita que será possível ter «provas de pista distritais em junho ou julho, nacionais em agosto ou setembro e em dezembro fazer já provas pontuáveis para o Mundial», mas considera que «seria bom que, pelo meio, houvesse provas transitórias de preparação». Se o vai conseguir ou não, é uma incógnita, uma vez que, tal como o próprio reconheceu, «há opiniões divergentes no que se refere ao reinício das competições».

Para já, a nível regional, a Associação Distrital de Atletismo de Leiria (ADAL) está em contacto com as autarquias para em breve se retomar a competição entre os mais jovens. O arranque será pela pista mas o também técnico distrital não coloca de parte a possibilidade de organizar, com uma autarquia, uma prova de estrada, em sistema de contrarrelógio, mas tudo tem de ser planeado ao pormenor, porque a preocupação não se pode centrar apenas nos atletas mas também no público e em toda a logística, sublinhou.