«Não haver Festas de São Pedro é uma grande amputação da vivência social e de união do povo do nosso concelho. É irreversível», frisa o presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós. Em declarações a O Portomosense, Jorge Vala afirma ainda que «é provavelmente a primeira vez que esta manifestação de união do concelho de Porto de Mós não se concretiza». Sem a realização, este ano, das Festas de São Pedro, O Portomosense procurou saber qual o destino do investimento que normalmente é feito pelo Município neste evento. «O investimento que iríamos fazer nas Festas de São Pedro e num outro conjunto de eventos está integralmente a ser canalizado para apoio às famílias. Por exemplo, nós vamos ter aqui uma diminuição de receita da fatura da água superior a 250 mil euros e diretamente as Festas não custam nem de perto, nem de longe, esse valor», realça.

Reconhecendo que os valores que serão distribuídos pelas associações possam ser «limitados e provavelmente insuficientes», ainda assim, Jorge Vala garante que, de acordo com aquilo que foi o compromisso acordado, vão ser distribuídos 55 mil euros pelas várias associações do concelho, que era o valor que o Município, em condições normais, transferiria para o Fundo Social dos trabalhadores da Câmara, a entidade organizadora das Festas.

Apesar de reconhecer que há valores, este ano, que não vão ser necessários gastar com as Festas, adianta que esses montantes são «manifestamente inferiores aos valores de todo o apoio que tem sido prestado que já vai em 700 mil euros». Desse apoio faz parte a «oferta de equipamento de proteção individual, na ordem dos 150 mil euros», uma parte destinada à população e a outra entregue às IPSS, bombeiros e profissionais de saúde. A somar a isto, está o investimento «significativo» feito na área dedicada à COVID-19, junto ao Centro de Saúde de Porto de Mós e ainda a transferência de «50 mil euros para o Hospital de Leiria para ajuda na aquisição dos ventiladores». «No final das contas, provavelmente iremos gastar três ou quatro vezes mais, do que aquilo que gastaríamos no ano de 2020», constata o autarca.

«O São Pedro tem sido aqui para a população do concelho, talvez o momento em que nos sentimos todos, efetivamente, portomosenses, porque é o momento mais alto de afirmação da coesão do nosso concelho. Sobretudo em termos sociais, mas também territoriais», reconhece Jorge Vala garantindo que é tempo de começar a pensar «se há condições para se realizar em 2021» e caso haja, refletir sobre a organização e dimensão que as Festas terão.

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