O salão da capela de Chão das Pias, na freguesia de Serro Ventoso, foi pequeno para acolher as cerca de 320 pessoas que lá se deslocaram no passado domingo, dia 6, com o intuito de degustarem seis pratos em que o bacalhau era o ingrediente principal, num evento inédito na região. A vasta panóplia de oferta de pratos foi desde o Bacalhau à Brás, passando pelo Bacalhau com Natas até à Feijoada de Bacalhau.

É de sorriso rasgado que Mary Cordeiro, de 64 anos, uma das organizadoras do Festival do Bacalhau, confessa em declarações a O Portomosense que foi «um sucesso muito grande» e que não estavam à «espera de tanta gente». Apesar de no cartaz do evento constar uma data limite para as inscrições, a maior parte das pessoas acabou por aparecer sem uma reserva previamente feita, o que até à hora do início do festival levou a que o número de participantes fosse um mistério.

Mary Cordeiro refere que às 12h30 tudo estava «prontinho» mas quando nada o fazia prever começou a «chegar muita gente», confessando Mary Cordeiro um «certo pânico» porque estava a receber as pessoas e começou a ver a fila «a chegar à porta». Por esse motivo as últimas pessoas «esperaram um bocadinho mais», dada a existência de apenas dois fornos para a confeção de quase todos os pratos. Este facto não parece, no entanto, ter sido visto pelos participantes como um contratempo porque no final, as pessoas expressaram-se todas «muito contentes e satisfeitas», e por isso, o «feedback foi muito positivo».

Do total dos 120 quilos de bacalhau comprados, sobraram apenas sete que foram adquiridos entre os membros. No entanto, a incerteza quanto ao número concreto de participantes levou a que a organização sentisse a necessidade de se munir com uma grande quantidade de bacalhau. Prova disso foi o facto de, segundo Mary Cordeiro, toda a gente envolvida ter «bacalhau de reserva em casa», para caso fosse necessário, ir-se lá buscar.

No final houve quem afirmasse que o Festival do Bacalhau foi uma «boa ideia» e que «devia ser repetido», uma decisão que já não depende desta organização, pois este evento, raro na região, deveu a sua existência ao facto da comissão da Festa da Chança, que se realiza no próximo ano, querer angariar fundos para a sua realização. Foi tendo em vista este objetivo que Mary Cordeiro e Filomena Amado, ambas juizas da comissão, se juntaram e começaram a pensar num evento que as pudesse auxiliar nesse sentido. «Fazer uma coisa diferente» foi o mote que norteou o pensamento destas duas mulheres. Em conversa com O Portomosense confessam que apesar da escolha ter recaído sobre este tipo de peixe «não se dever a nenhuma razão em especial», havia a necessidade de fazer outra coisa sem ser algo tão corriqueiro como um festival de sopas, referem. Depois de se ter feito a Festa da Chouriça e uma sardinhada, este festival, foi o último para a angariação de fundos.

Para Mary Cordeiro, espanhola, a viver há 21 anos em Portugal, o bacalhau é uma «coisa que toda a gente gosta e come», no entanto, e a pensar principalmente nas crianças houve também carne grelhada. Depois de almoço, as «pessoas continuaram lá a conviver» porque estava um «dia muito bom e bonito», diz. A festa acabou por se estender até às 18 horas, havendo a possibilidade dos participantes comprarem café da avó e bolos fritos.