Depois de na última edição do Festival do Galo de Serro Ventoso terem estado cerca de 1500 pessoas, durante os dois dias de evento, sentados à mesa no Salão de Festas de São Silvestre, este ano, já sendo o motivo mais do que conhecido por todos, a pandemia de COVID-19, a organização, a cargo da Junta de Freguesia, teve de se adaptar. O regime take-away foi a solução encontrada, ou seja, as pessoas interessadas puderam encomendar o prato pretendido, para depois levantar no salão, «e comer em família», como frisou a O Portomosene o presidente da Junta de Freguesia, Carlos Cordeiro. Vai ser ainda feita entrega ao domicílio, «num raio de 10 quilómetros», para quem também reservou até hoje, quinta-feira, data limite para as encomendas.

Se pedirmos a Carlos Cordeiro para recuar no tempo e para nos falar do momento exato em que nasceu a ideia de criar este festival, o presidente consegue fazer o exercício. «Lembro-me bem, estávamos numa reunião de executivo, na Junta de Freguesia, à noite ,e eu lembrei-me que deveríamos fazer algo que identificasse a freguesia, algo genuíno de cá. Pensámos em várias coisas mas acabámos por nos decidir pelo galo, porque quase todas as pessoas têm três ou quatro galinhas e um galo. Era um meio de sobrevivência que as pessoas tinham e ainda têm», conta. A Junta e o próprio autarca não estão arrependidos: «Acho que fizemos a escolha certa, o galo já nos levou além-fronteiras e em termos de festival gastronómico, a seguir às Tasquinhas de Porto de Mós, se calhar somos o maior festival [do concelho], sentado à mesa. Em cinco anos já obtivemos o nosso lugar bem cimentado», frisa.

A opção de não manter o restaurante

Seriam entre 400 e 500 os lugares sentados, que já tinham obrigado a organização a pensar em toda a logística para montar o restaurante no salão paroquial. As pessoas não vinham apenas do concelho, salienta Carlos Cordeiro, que lembra que a freguesia já recebeu pessoas até do norte do país. A verdade é que nada disso vai ser possível este ano e foi necessário fazer escolhas para conseguir manter vivo o festival, com as regras impostas pela Direção-Geral da Saúde. A opção por não manter o restaurante foi tomada para ter «risco mínimo»: «Nós podíamos manter o restaurante, com muito menos mesas e com a distância necessária, mas eu não queria correr esse risco, acho que nos devemos adaptar às situações. Isto acaba por ter menos risco do que ir a um qualquer restaurante. As pessoas chegam e levam para casa».

Os galos vão ser comprados ao fornecedor espanhol, com quem habitualmente a Junta de Freguesia trabalha, para «garantir a qualidade» de sempre. O número de galos está ainda dependente do número de encomendas, possíveis até ao dia da publicação desta edição de O Portomosense e por isso, informação que não conseguimos precisar. Quanto ao staff necessário, Carlos Cordeiro explica que na cozinha estarão cinco cozinheiras e que o restante pessoal estará nas motas de distribuição ao domicílio, perfazendo um total de cerca de 10 pessoas que vão “pôr de pé” o festival. Este ano vão existir apenas três opções no menu, «para evitar muita confusão» face às condicionantes do regime take-away por encomenda. O festival está a postos, resta escolher: Galo no forno, Galo Bêbedo ou Cabidela de Galo?