D.R.

O Centro de Medicina Física e Reabilitação da Santa Casa da Misericórdia de Porto de Mós, inaugurado há 12 anos, conta desde o início do ano com uma nova gerência. Com esta chegou toda uma nova filosofia de trabalho, espaços físicos e equipamentos renovados e também uma maior valorização dos recursos humanos, como explicou ao nosso jornal, o diretor clínico, Pedro Albuquerque.

Dias depois da cerimónia pública que marcou o arranque formal da atividade sob a égide da CliniPedro, uma clínica de fisioterapia com sede em Leiria, propriedade de Pedro Albuquerque, o responsável contou ao nosso jornal que «a Santa Casa não estando satisfeita com a forma como o centro estava a funcionar por se notar uma diminuição progressiva na qualidade do serviço prestado», propôs-lhe que apresentasse um projeto que a ajudasse a resolver o problema «em termos de gestão de emprego e ao nível do paciente, mas também na qualidade e no tipo de tratamentos prestados». O desafio foi aceite e a Misericórdia satisfeita com o que lhe foi apresentado terminou o contrato com a empresa que até aí assegurava a gestão do centro de fisioterapia e assinou um outro, desta feita com a clínica de Leiria.

«O espaço e a forma como estava organizado não era de todo benéfico para aquilo que é a fisioterapia, portanto, a nossa empresa sugeriu, nesta fase inicial, alterações e a realização de pequenas obras de melhoramento. Dentro de dois a três meses vamos avançar com obras de fundo mas como o prédio apesar de ser antigo é bastante grande e tem bastante espaço dá para irmos alternando [enquanto decorrerem as obras]», adianta o responsável explicando que o objetivo é tornar o espaço mais acessivel e acolhedor para os utentes e simplificar a sua deslocação já que «a maioria é de uma idade já muito avançada».

Depois desta primeira intervenção e antes de avançar com tratamentos que até aí não eram realizados neste centro, Pedro Albuquerque, refere que «a preocupação foi rever a remuneração dos colaboradores para valores muito mais aceitáveis», confessando que ficou triste quando viu fisioterapeutas a ganhar o que ganhavam, «algo que não era benéfico para ninguém», considera.
Passados pouco mais de 15 dias, o diretor clínico mostra-se bastante satisfeito: «Ao nível da fisioterapia é bastante diferente do que se fazia e os nossos pacientes têm-nos dado um feedback muito positivo. É muito importante vê-los a progredir e a terem melhoras ao invés de usufruirem de um espaço em que a sua patologia praticamente não avança».

«O que nos foi proposto foi tentar, apenas com a comparticipação do Estado, prestar um serviço de melhor qualidade e nós achámos que sim, que seria possível. Não podemos justificar um serviço de baixa qualidade por recebermos do Estado uma comparticipação igualmente baixa. Estamos a falar de pessoas e apesar do valor ser baixo não quer dizer que não possamos melhorar substancialmente e é nisso que estamos apostados em Porto de Mós», sublinha Pedro Albuquerque.

A CliniPedro trabalha em exclusivo na área privada e sem ligação a seguradoras. «Temos um compromisso de qualidade muito elevado para com o nosso cliente e é para isso que as pessoas pagam e por isso é que temos vindo a crescer. No entanto, quem está na área médica não se deve reger só pela questão financeira e portanto [em Porto de Mós] ao ajudar as pessoas que não têm tantas possibilidades de aceder à clínica, é a oportunidade para ter na minha vida uma valência que é mais social e até um bocadinho solidária».

A título de curiosidade refira-se que Pedro Albuquerque, fisioterapeuta formado pelo Alcoitão, começou a sua carreira integrado na equipa de Bernardo Vasconcelos, o médico que durante mais de 20 anos chefiou o departamento médico do Benfica. Nos últimos dois anos tem acumulado o seu trabalho na clínica de Leiria com o apoio a jogadores dos plantéis seniores do Benfica e do Sporting.