O presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, Jorge Vala, confessa-se cada vez mais preocupado com a possibilidade da empresa que detém a concessão da exploração de gás natural na região poder vir a recorrer ao método de fratura hidráulica, também conhecido por fracking nos seus trabalhos de pesquisa de hidrocarbonetos na zona de Aljubarrota (Alcobaça) e também na freguesia da Bajouca (Leiria).

Jorge Vala deu a conhecer aos deputados municipais a mais recente moção da Assembleia Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL) sobre o assunto e expressou a sua enorme preocupação, explicando que à medida que vai «lendo e conhecendo melhor o processo de fratura hidráulica», mais convicto está de que «se isto for para a frente vamos ter um problema muito, muito grave no nosso território».

Na última sessão da Assembleia Municipal, o autarca reconheceu que nem sempre teve o apoio dos restantes presidentes de Câmara, ficando «a falar um pouco sozinho» sobre os perigos do fracking, mas hoje sente que os 10 municípios que compõem já estão despertos para o problema e daí, «em boa hora, ter surgido mais esta moção da Assembleia Intermunicipal da CIMRL».

De acordo com o autarca, se a empresa concessionária avançar com este sistema para tentar perceber o potencial de exploração, «vai ter de fazer uma perfuração até uma profundidade de três quilómetros e depois abrir aí uma galeria com capacidade mínima para 700 metros cúbicos e só há duas formas de o fazer: ou recorre a químicos, ou ao sistema de fratura hidráulica e a última opção tem tido problemas dramáticos, por exemplo, nos Estados Unidos, inclusive provocando grandes sismos e afetando áreas maiores que Portugal inteiro».

Tal como recorda a moção da CIMRL, também Jorge Vala se mostra bastante apreensivo com o facto do maior aquífero de água doce da Península Ibérica, em pleno Maciço Calcário Estremenho, ou seja, na nossa região, poder vir a ser contaminado na sequência de infiltração de metais pesados. Tendo em conta a existência de inúmeras grutas e algares, o edil considera que a captação de água em profundidade no concelho pode ser colocada em sério risco, mas sublinha que as consequências estender-se-ão a toda a região e daí a necessidade dos 10 municípios estarem unidos nesta luta. A propósito, Jorge Vala lança o aviso: «Daqui para a frente, ou estamos juntos ou então essa gente vem para aqui a assobiar e a cantar e a dizer que fazem o que querem».

«Numa das reuniões com representantes da empresa foi-nos manifestada disponibilidade para haver compensações financeiras e a resposta que eu dei é que Porto de Mós pode morrer pobre mas não morria com o dinheiro deles», contou Jorge Vala perante a Assembleia Municipal.

O presidente da Câmara lamenta a leviandade de se atribuirem licenças de exploração de gás, ainda por cima sem se saber efetivamente qual a capacidade dos reservatórios e por quanto tempo será viável a sua exploração em termos económicos, afirmando que o país tem aqui um problema e que é dever dos autarcas alertarem antes das coisas acontecerem. Em paralelo a isso já foram pedidas ao Governo medidas de contingência para a água. Na sua mais recente moção, a CIMRL expressa a «posição firme de rejeição de realização de trabalhos de exploração de hidrocarbonetos nas áreas concessionadas», precisamente «pelo risco de contaminação dos aquíferos por hidrocarbonetos e metais pesados».

Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós exigem ainda à empresa concessionária que «todas as atividades a desenvolver» estejam «em total concordância com os instrumentos de ordenamento do território de âmbito nacional, regional e municipal em vigor, nunca perdendo de vista ser necessário assegurar a preservação do património histórico e ambiental, bem como garantir a qualidade de vida das populações».