Realizou-se no passado dia 19 de setembro o baile-concerto com o grupo AIRE no âmbito do projeto Baile dos Pastorinhos, «um projeto de educação cultural pela salvaguarda ativa da dança tradicional e popular, ancorada na relação com as pessoas da comunidade local». «Nascido entre as voltas da serra e os muros do castelo, AIRE é um colectivo que se dedica à recriação do repertório dos grupos folclóricos de Porto de Mós», refere uma nota enviada ao nosso jornal. O evento realizou-se no Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota, onde foi apresentado o CD Danças de Porto de Mós [lançado no dia 17 de setembro] e «que contém as músicas das oficinas de dança que têm vindo a ser desenvolvidas dentro do projeto» que começou em 2018 em parceria com o Instituto Politécnico de Leiria (IPL).

O projeto é «focado nas pessoas e na sua cultura, no regresso ao baile tradicional e no encontro de várias gerações, assente na capacitação, investigação, intervenção pedagógica e disseminação». O disco conta com um total de 16 músicas tradicionais do concelho. Este foi mais um evento «inserido na programação da Rede Cultura 2027». «A interpretação musical fica a cargo de Ana Clément (flautas de bisel, voz), Emiliana Silva (violino), Rafael Gomes (concertina), Samuel Louro (bateria, percussão, guitarra) e Sara Vidal (voz, harpa celta)», explica a mesma nota. Além do IPL, da Câmara Municipal de Porto de Mós e da Associação de Folclore da Região de Leiria – Alta Estremadura, os parceiros do projeto são «o Rancho Folclórico Luz dos Candeeiros (do Arrimal), o Rancho Folclórico de Mira de Aire, o Rancho Folclórico de Pedreiras e o Rancho Folclórico Sociedade Recreativa de Cabeça Veada».

Em declarações à agência Lusa, a coordenadora do projeto e investigadora do IPL, Marisa Barroso, afirmou que o lançamento deste CD «é muito importante, porque é um marco que representa todo o projeto». A responsável frisa também que por oposição a outro tipo de eventos, como oficinas, bailes ou debates «que acontecem, diluem-se no tempo e desaparecem», este CD vai perpetuar-se e ser também «uma ferramenta de disseminação, física e nas plataformas online, que permite levar um registo das músicas e das danças a qualquer parte do mundo». Pode ser encontrado neste CD muita diversidade, desde Loureiros, Passe Catres, Fadinhos, Choutices ou Vá de Rodas e estas 16 danças foram, segundo Marisa Barroso, «escolhidas com muita intencionalidade para a disseminação ramificada e solidificada com o resto do projeto». As músicas e coreografias foram «selecionadas para permitir que sejam dançadas dos dois aos 80 anos».

A coordenadora revelou que o espírito de quem faz parte deste projeto é muito positivo. «Estamos muito felizes com tudo o que está a acontecer. Este é um disco multicultural e multidisciplinar, porque guarda músicas, guarda danças», salienta. Marisa Barroso espera ainda que a divulgação deste CD cause «muito espanto», uma vez que aborda «formas de vida e psicologia, posicionamentos de um passado que se assemelha muito ao presente e que dão lições muito fortes, de uma forma muito simples».

Fotos | Município de Porto de Mós