Se era daquelas pessoas que quando visitava as Grutas de Mira de Aire tinha por hábito atirar uma moeda para dentro dos lagos aí existentes, se calhar é melhor pensar em deixar de o fazer, isto em nome da saúde pública. Quem o diz é Carlos Alberto Jorge, presidente do conselho de administração das Grutas, que em declarações a O Portomosense adianta que após a reabertura das grutas, irá pedir às pessoas que deixem de lançar moedas, por estas serem possíveis fontes de contaminação.

Encerradas ao público desde o passado dia 15 de março, ainda não havia até ao fecho desta edição uma data prevista para a reabertura das Grutas de Mira de Aire. No entanto, os responsáveis pelo espaço, aproveitaram este período de paragem, em que não puderam contar com a presença de visitantes, para proceder a algumas ações de limpeza. «Procurámos criar melhores condições de visita à gruta. Já fizemos e continuamos ainda a fazer a lavagem e desinfeção de todo o interior e substituímos as águas de todos os lagos», afirma Carlos Alberto Jorge.

Posteriormente à limpeza dos cerca de 13 lagos, procedeu-se à retirada das moedas que ao longo de cinco anos lá foram sendo depositadas e que agora vão conhecer um novo destino. «Vamos entregar, na próxima semana, cerca de mil quilos de moedas aos Bombeiros Voluntários de Mira de Aire», avança o responsável. A última limpeza deste género tinha sido feita há cinco anos e representou um «total de 2 mil euros», incluindo moedas em escudo. Mas para já, Carlos Alberto Jorge, ainda não sabe qual será o valor das moedas retiradas este ano.

Abertas ao público há mais de 40 anos, aquando da sua reabertura, as Grutas de Mira de Aire, vão passar a ter novas regras. Com uma extensão de 11 quilómetros, irá passar a ser obrigatória a utilização de máscaras de proteção para todos os visitantes no interior das grutas, que segundo Carlos Alberto Jorge, serão distribuídas pela própria entidade. Além disso, e à semelhança do que já acontecia dias antes de ser decretado o encerramento, vão ser feitas medições de temperatura a todas as pessoas que quiserem visitar as grutas.

Tendo por base o facto de serem associadas da ISCA (International Show Caves Association), prevê-se que outras medidas entrem em vigor num futuro próximo, tais como a lotação máxima por visita ser de 12, ao invés das 20, anteriormente. Além disso, o elevador que tinha capacidade para transportar 33 pessoas, atualmente, só fará o transporte de seis visitantes de cada vez, mais o guia turístico. Outra das novidades tem a ver com o arranque das visitas que irá sofrer uma pequena alteração de horário para que seja possível proceder a uma limpeza interior. «O primeiro grupo só vai poder entrar às 10 horas, que é para no período que antecede podermos fazer a higienização de todo o espaço em que a pessoa possa tocar», justifica.

Mesmo com as Casas da Gruta encerradas, solicitações continuam

No início do mês, o Governo anunciou que as 28 Pousadas da Juventude presentes de norte a sul do país passavam a estar disponíveis para «albergar profissionais de saúde que não queiram deslocar-se para casa para não contaminar as suas famílias, pessoas em quarentena ou isolamento e idosos deslocados de lar». Passado este tempo, O Portomosense foi tentar perceber, se os dois espaços existentes no concelho e que foram preparados para fazer essa receção, já receberam alguém.

Em Alvados, na Pousada da Juventude, Joana Mendes confirmou que já receberam alguns contactos no sentido de poderem albergar alguém, mas que depois em articulação com o Ministério da Saúde, optou-se por encontrar um local que fosse mais perto para as pessoas em questão. Por isso, e até ao momento, a Pousada da Juventude de Alvados não recebeu ninguém.

«Esta é uma luta que tem que ser travada por todos e a nossa colaboração é feita através da disponibilidade para esses meios, que estão na primeira linha, poderem ter algum conforto e segurança», explica, por sua vez, Carlos Alberto Jorge. As Casas da Gruta, em Mira de Aire encerradas há semanas, encontram-se neste momento «à disposição da Saúde e da Proteção Civil». Apesar disso, as solicitações de pessoas anónimas que queriam alugar um espaço continuaram. «Tivemos pessoas a ligar de Tomar, uma família chinesa e ligaram-me também de Lisboa. Das pessoas que me ligaram era tudo gente de fora que se via nitidamente que era para fazerem quarentena voluntária, pois queria alugar por 15 dias ou três semanas», explica. No entanto, Carlos Alberto Jorge justifica porque nunca aceitaram ninguém: «Tínhamos esse compromisso com a Câmara Municipal e depois também não queríamos estar a abrir portas sem saber quem é que vinha e de onde é que vinha», refere.

Na passada semana, pela primeira e única vez, receberam uma pessoa que pernoitou durante cinco dias. Segundo confirmou Carlos Alberto Jorge, tratou-se de uma mulher, bombeira de Porto de Mós, com cerca de 40 anos e que ali se deslocou «para não estar em contacto com a família, ou seja, para não ir para casa com medo que pudesse infetar a família». E confessou-lhe que o que mais lhe custou «no meio disto foi estar afastada da filha». De início, a senhora fez um contacto preliminar com a Câmara Municipal que rapidamente a encaminhou para as Casas da Gruta. Era suposto ter ficado num bungalow T0, mas acabou por ficar num T1 que incluía mais uma cozinha, onde «podia confecionar ou aquecer refeições».