Grutas de Mira de Aire passam a ter um Laboratório Científico Internacional

22 Outubro 2026

Foto: Rafael Duque

O Portomosense

As Grutas de Mira de Aire, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) assinaram um protocolo com o objetivo de reforçar a investigação científica e «o conhecimento dos ecossistemas subterrâneos do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC)», divulgou a Universidade numa nota. Este acordo «prevê a criação e o desenvolvimento dos Laboratórios Científicos Internacionais da Gruta de Mira de Aire e do Algar do Pena, bem como o apoio à investigação científica de natureza espeleológica no PNSAC». 

Os investigadores e estudantes «poderão desenvolver trabalhos nestas infraestruturas, que poderão também acolher formação, atividades de comunicação de ciência e projetos nacionais e internacionais». Citada na nota, Ana Sofia Reboleira, professora na Faculdade de Ciências ULisboa e responsável «pela coordenação científica destas infraestruturas», explica que estes laboratórios vão permitir «a realização de estudos dentro das próprias grutas». 

A professora evidencia a importância de laboratórios como estes para «a investigação biológica e ecológica de longo termo» e para espécies estritamente cavernícolas. Mas o potencial, como se lê na nota da Ciências ULisboa, «vai muito além da biologia». «Serve áreas muito diversas, como a medicina, a física, a química, a astrobiologia e naturalmente, as geociências», realça a investigadora. 

O laboratório Troglobiário, no Algar do Pena, já está a funcionar desde 2013 localizado «a 45 metros de profundidade e dispõe de acesso facilitado, iluminação artificial, energia, internet, uma estação de monitorização de longo termo, aquários e terrários». Condições que, releva Ana Sofia Reboleira, abrem «uma janela para o meio subterrâneo profundo». 

Já as Grutas de Mira de Aire vão ganhar agora uma nova infraestrutura. Para Ana Sofia Reboleira, este laboratório abre também uma oportunidade de investigação particularmente relevante: «É uma oportunidade inédita para estudar o impacto da atividade humana em ecossistemas subterrâneos». 

A Ciências ULisboa destaca que o «PNSAC alberga um elevado número de grutas e importantes recursos hídricos subterrâneos, além de espécies cavernícolas endémicas». Ana Sofia Reboleira sublinha que esta «parceria permite gerar novo conhecimento sobre os ecossistemas subterrâneos». 

A iniciativa «está também ligada ao trabalho desenvolvido pela Cátedra em Sustentabilidade de Ecossistemas Subterrâneos»: «Os Laboratórios Subterrâneos são infraestruturas únicas, promovidas pela Cátedra, que põem a Ciências ULisboa na vanguarda da investigação subterrânea a nível internacional», explica Ana Sofia Reboleira. 

Estas «infraestruturas estão dotadas de estações de monitorização contínua que permitem transmitir dados em tempo real». «Os nossos estudantes já estão a desenvolver atividades de investigação nestes laboratórios e outros poderão solicitar acesso à infraestrutura», refere a investigadora.  A Universidade destaca ainda que os espaços «poderão ainda ser utilizados para cursos avançados, formação pós-graduada e atividades de comunicação de ciência», nomeadamente com a «colaboração com outras universidades e com o ensino pré-universitário». 

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