Depois de estar tudo a postos para a reabertura das Grutas de Mira de Aire e de inclusive já terem estado a funcionar durante o dia de ontem, dia 20 de maio, eis que um despacho do Conselho de Ministros veio mudar tudo. «A indicação que nós tínhamos era que os espaços de animação turística, monumentos, museus e sítios poderiam reabrir e como o nosso CAE vai mesmo nesse sentido, pensávamos que estávamos incluídos nesse lote», começa por explicar Carlos Alberto Jorge, presidente do conselho de administração do complexo turístico.

O período entre segunda e terça-feira foi dedicado a dar formação ao «pessoal da gruta» através de uma técnica da Higiene e Segurança no Trabalho, onde foi apresentado ainda o plano de contingência da empresa. Quarta-feira era o dia da tão esperada reabertura que contou com três grupos de visitantes, no entanto, ao final da tarde uma chamada da presidente da Sociedade Portuguesa de Espeleologia – SPE veio deitar por terra os planos para os próximos tempos. «Ligou-nos a a perguntar se já tínhamos aberto e eu disse que sim. Ao que ela respondeu: “Mas olha que há um despacho que saiu do Conselho de Ministros no domingo, dia 17, em que as grutas continuam interditas a visitas ao turismo”».

Nessa resolução consta que «ficou decidido no Anexo I do artigo 5º que permanecem encerradas as grutas nacionais, regionais e municipais, públicas ou privadas, sem prejuízo do acesso dos trabalhadores para efeitos de conservação». Quando souberam dessa informação, encerraram de imediato.

Hoje, os trabalhadores que já estavam prontos para regressar ao trabalho tiveram que regressar a casa porque a empresa teve que recuar na decisão de suspender o lay-off. o futuro, esse não é visto com grande otimismo. «Andamos num sufoco muito grande. Ontem recebemos a anulação por parte de uma agência espanhola de oito grupos para junho», refere Carlos Alberto Jorge. Apesar de a reabertura do restaurante estar prevista para a próxima segunda-feira, agora com o encerramento da gruta, essa decisão é vista como um foco de problemas. «Cerca de 70% dos clientes do restaurante são visitantes da gruta e por isso, só vamos abrir com os mínimos. Nós temos seis pessoas afetas ao restaurante, mas agora não posso ter isso», frisa o responsável.

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