Pedro Joaninho é natural do Alqueidão da Serra, tem 25 anos, e foi um dos músicos escolhidos para integrar a digressão do cantor Tony Carreira, que nos últimos meses passou em mais de 21 cidades de três países. «Tocar com um artista desta dimensão – provavelmente um dos maiores em Portugal – é sempre uma situação muito enriquecedora. Há sempre muito a aprender em cada concerto e em cada sítio que se conhece», considera.

Toca guitarra desde os 12 anos e aos 17 decidiu ir estudar música para Lisboa, o que lhe viria a abrir muitas portas a nível profissional. Já acompanhou vários artistas do panorama pop português, entre os quais DAMA, Mia Rose, Nuno Ribeiro, Olavo Bilac, Bárbara Bandeira e Ivo Lucas, e já trabalhou com todos os elementos da família Carreira. Por isso, estar em palco não é algo que o atormente. «Talvez pelo facto de ter começado a tocar tão novo, quando estou em palco não me sinto ansioso nem nervoso. É o que eu faço, encaro como outro trabalho qualquer», assegura. Hoje já conta com uma vasta experiência no meio e foi precisamente a partir dessa experiência que o convite para trabalhar com Tony Carreira surgiu. «Um dos guitarristas da banda não estava vacinado [contra a COVID-19] e era necessário alguém que tivesse o certificado. Sugeriram o meu nome, porque além de já ter tocado com a filha, Sara Carreira, fui recomendado por um dos guitarristas como uma boa opção para substituir o outro», conta.

A turné começou e terminou em França. Pelo meio passou na Bélgica e no Luxemburgo. Os espetáculos eram feitos em salas fechadas, sobretudo teatros, alguns dos quais com capacidade para receber perto de quatro mil pessoas. O último concerto aconteceu no passado dia 18 de abril. «Foi uma experiência relativamente diferente do que eu estava acostumado pelo facto de ser tour bus, ou seja, andávamos num autocarro com camas, onde dormíamos e acordávamos já no sítio do próximo concerto. Foi uma tour mais intensa», descreve. Pedro Joaninho era o mais novo da equipa – 15 anos o separavam da pessoa mais nova além de si –, mas garante que nunca se sentiu posto de parte por causa da idade. Antes pelo contrário: «Senti que houve uma receção muito calorosa por parte deles. Aliás, até estavam contentes por haver sangue novo na equipa», conta. Para o jovem foi um «prazer» poder viver esta experiência, sobretudo por estar envolvido num ambiente de «músicos mais experientes»: «Acaba por ser uma aprendizagem constante porque são pessoas que fazem isto há muito tempo, que já têm esta dinâmica de vida há muito tempo e sabem gerir estas situações da forma mais correta».

Se tudo correr como previsto, esta ligação ao cantor Tony Carreira não vai ficar por aqui. «Gostaram do meu trabalho e perguntaram-me se estava disponível para fazer a turné toda cá e é o que irei fazer, se tudo correr bem», revela. Pedro Joaninho mostra-se entusiasmado com mais este convite mas tendo em conta a instabilidade do meio – adensada pela pandemia – diz que só conta com os concertos quando já está «em cima do palco». «Neste mundo nada é seguro», lembra.