Miquelina, a minha burra, não é grande aficionada das redes sociais, o que pode parecer estranho, face à sua condição feminina de língua quase sempre afiada. Talvez por isso, um dia destes, atirou-se a elas e aos seus utilizadores:
– O nosso município está mesmo muito à frente e criou um Gabinete Eletrónico de Comunicação em conjunto com um Gabinete Eletrónico do Cidadão no conhecido armazém americano do Facebook, e ao que parece com vasta liberdade de utilização, sem aparente restrição horária, sendo possível o seu acesso a qualquer hora e feitio, por mais interessantes ou desinteressantes que sejam os assuntos. Assim de uma forma original, criativa e totalmente gratuita se põe Porto de Mós no mapa. Uma espécie de ovo de Colombo, que nem precisa de casca partida… E mais… respira-se felicidade e parece não haver por lá toupeiras… Para americanizar mais a coisa… nem o Black Friday escapou… nada melhor que aprender com os melhores…
Nem precisámos de a picar, que a tanga veio depressa:
– A passarada da pista de plástico arrefecido é mesmo divertida… Sorte, pura sorte, de o Valadas não ter na sua equipa nenhum gajo do PAN, e com a vantagem adicional de poder ver o serviço só faturado em janeiro com IVA reduzido de 6%… numa feirinha que não ata nem desata… É o que há!… Mas ainda há mais…
Algum silêncio para aguçar o suspense e lá veio a novidade:
– A malta do ambiente do Valadas e companhia parece ter andado a distribuir árvores de Natal de plástico pelas tascas, numa iniciativa carbónica de capital importância para o aquecimento global e de vital importância para o mercado local… Ou será que foi alguma negociata com alguma grande superfície, das que crescem como cogumelos, para acabar com o sarampo das outras?… Mesmo assim, uma prendinha, mesmo que envenenada, sabe sempre bem… No Natal, nada parece mal, à boa maneira do Carnaval…
Para rematar em beleza, com pressa para ir comprar as prendas para a malta, de que falará depois:
– Para a comunicação ser absolutamente universal, deslumbrante e livre, só falta mesmo criar uma linha vermelha – a cor do município – sem valor acrescentado, para a malta desabafar o que lhe for na alma, com uma voz simpática a apregoar: Mi liga, vai!!!!

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