A minha burra foi dar uma volta ao castelo e ficou espantada com o que viu. Vinha mais que danada. Barafustava por tudo o que era sítio. Não se podia aturar. Resmungava para quem a queria ouvir:
– A aproximação ao nível da cota de soleira da entrada do nosso castelinho, para além de esfarrapada, não se justifica. O acesso necessário e mais que justificado a pessoas de mobilidade condicionada poderia e deveria ter sido feito naturalmente com uma pequena correção ao já existente, pelo lado do cemitério e sem espinhas… Lá dentro mais um monstro… Coisa feia!… Uma plataforma elevatória interior que mais parece um monta-cargas de um qualquer armazém de palha cá para a Miquelina… Lá se foi o nosso castelinho de bonecas de olhos verdes!… e na varanda entre as torres mais um trambolho de toldar a vista… Só falta aproveitar um carnaval qualquer para o inaugurar com mais trapalhada a condizer…
Estava visivelmente chateada a Miquelina:
– Como já acontece noutros sítios, como no tribunal por exemplo, estes monstros ficarão condenados a apodrecer sem prestar para nada… Daqui a uma década veremos se tenho ou não razão… Mas mesmo que não tenha, uma coisa é certa: a elegância não passou por ali e tenho dúvidas que o respeito pelo monumento por lá tenha andado!…
Embalada na fúria que lhe corria nos dentes, rematou:
– E esperem por mais um monstro sem jeito… A Central Termoelétrica vai virar museu com um projeto sem jeito, a que faltou tomates para ser revisto… Perdeu-se uma oportunidade única para fazer qualquer coisa que, como diz o Valadas e companhia, pusesse Porto de Mós no mapa.

HISTORIAS DA MINHA BURRA

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