A minha burra está especialmente contente com uma cambada de festas que se fizeram ao mulherio cá do sítio. Mulherio em alta… ele foi o dia conta a violência doméstica, que dizem ser sobre as mulheres… coitados dos homens que têm de as aturar até se passarem… Foi o dia da mulher… Coitados dos homens que só têm trezentos e sessenta e quatro nos anos não bissextos… E foi a homenagem municipal ao mulherio… Mulheres em força… A arreganhar os dentes de contente dizia, a propósito, a Miquelina:
– Com amostras seguras do que serão os passadiços da Fórnea e em obras que nunca mais acabam, tomei devida nota do castelo, vestido de violeta, para mostrar ao mundo a indignação pela violência doméstica, no dia sete, véspera do dia da mulher. Não deixa de ser muito curioso que o Zé das Fotos aproveitasse a boleia para juntar a sétima cor do arco-íris à quaresma.
E concluiu o raciocínio saramaguenho:
– Cá para mim, juntando tudo, só posso concluir: Mulher leva porrada a sete de março e beijinhos no dia oito do mesmo mês e a 10 laureiam-se algumas… Convém não esquecer que mimos e beijos sobre feridas em chaga acabam sempre por doer… Quanto à cromia do castelo parece haver uma justificação: o mercado chinês não tinha filtros cor-de-rosa…
E, quase sem se deter, mudou de assunto:
– Mesmo não querendo ouvir ninguém, o sítio municipal da internet continua a fazer um desafio engraçado: FALE CONNOSCO. Aproveitando a boleia e tão inusitada disponibilidade aqui fica uma pergunta: Como o cineteatro está a precisar, como pão para a boca, de peças e de ar puro, será que as peças de teatro do Teatremos e o oxigénio d’O Mundo Secreto das Plantas teve o propósito de resolver este problema? E, por falar em portal eletrónico, parece-me fixe ver por lá artistas e artesãos sem obras e gente com obras que nem lá põem os penantes…
E mais malandreca voltou um pouco atrás:
– O mérito medido por políticos deu quase sempre barraca… e aqui mais pareceu distribuir o bem pelas aldeias… não esquecendo a própria casa, como sempre convém no comum da rapaziada que nos governa…Salve-se a sala a abarrotar e uma carrada de discursos à Fidel com nomeados à Hollywood… numa cerimónia dura… dura… dura… Nem o 10 de junho dura tanto… Para acabar com o mulherio só falta falar no regresso da Belmira, com duas alterações a registar: sai um gajo e entra uma gaja e a ver vamos se não ficaram a perder os pedras negras e a ganhar os mindéricos…