A minha burra, em jeito de balanço, lembrou-se de visitar o ano de dois mil e dezoito, acabadinho de enterrar. Não deixa de ser difícil numa parvónia de muitas coisas, mas de pouca coisa. E é mesmo aqui que parece estar a questão… Numa animada conversa de variados convivas e no rescaldo de uma passagem de ano fria, regada e cercada de rapaziada com balões, Miquelina lá atirou…
– No melhor parece poder estar uma governação tranquila do Valadas e companhia, com reuniões descentralizadas, e no pior parece estar uma oposição que perdeu o bico e uma cambada de festas a eito de critérios pouco ou nada conhecidos, onde gravitam sempre os mesmos e a baixa motivação da rapaziada, no geral considerada. No melhor continuam os êxitos repetidos das Festas de S. Pedro, das Concertinas da Barrenta, do Vem Dançar… no lado do pior lá continua a falta de planeamento a longo prazo e a navegação à vista… Pelo menos, pelo que daqui se nota… No melhor algumas novidades na cultura às ordens do Grandal do Pinhão e, no pior, as obras de Santa Engrácia do castelo – FECHADO PARA OBRAS – ou, mais propriamente, fechado para balanço ou até para liquidação total, tal o tempo a que dura, mesmo considerando as ripadas que está a levar… E são muitas… Aqui resta uma leve esperança de que o nosso castelo de bonecas não vire pimba-castle… a começar pela soleira, mesmo à mão de semear do mata-cães… No melhor a intenção de um orçamento participativo e, aqui mesmo, no pior a confusão participativa e uma vitória tão arrasadora de um dos projetos que mais parece ter sido encomendada a um qualquer “hacker”, contratado ao malogrado e-toupeira benfiquista…

Miquelina prendia a atenção da malta e lá continuou:
– Aqui vai uma história: Um professor meu, de filosofia, pediu-me que melhorasse a letra… num dos testes desenhei melhor caligrafia, mas desci de nota… De pronto o meu amigo Bochenski – alcunha do professor – resmungou ao entregar-me o ponto: Oh, pá, para ser assim… antes letra à pedrada!!!!
E lá veio a explicação a propósito da historieta:
– Tal como me aconteceu, também aqui, no melhor uma certa modernização eletrónica para acabar com o papel e, também aqui, no pior, o raio do novo sítio da Câmara na internet… Trezentas mil vezes mais feio e com tanta imprecisão que mete medo, a começar pelas imagens mordidas por algum diabo à solta… E para acabar o ramalhete… Faltaram renas e sobraram pássaros para pôs gajada na pista de plástico ou bem poderiam ter aumentado um pouco a temperatura pra confortar as moscas que a povoavam…
E rematou:
– Mesmo assim, um bom ano para toda a malta, com renovados coices cá da rapariga!!! E portem-se mal!

611 | SN