Hoje estamos mais pobres!

by | 9 Jun 2020

O Portomosense está mais pobre com o desaparecimento, esta semana, de José Costa, que era, até agora, o único dos seus três fundadores, ainda vivo.
No início dos anos 1980, três ilustres portomosenses – João Matias, Artur Vieira e José Costa – numa das suas habituais conversas chegaram à conclusão que era tempo de dar corpo a um projeto que já germinava na cabeça de João Matias há vários anos. O antigo colaborador de O Século, um dos mais prestigiados jornais portugueses, entendia que Porto de Mós precisava de um jornal e sentia-se com força e ânimo para fazer nascer esse projeto, nomeadamente em termos editoriais, recorrendo à experiência adquirida e pondo em prática uma escrita de assinalável qualidade e, claro, um amor imenso a Porto de Mós. Para essa verdadeira aventura numa terra que há muito não tinha um jornal, aquele que ficou para a história como o fundador de O Portomosense, necessitava contudo de apoio a vários níveis e Artur Vieira e José Costa, além de partilharem do seu ideal, eram as pessoas certas para o poder ajudar como mais tarde se veio a confirmar.
Foi esta, então, de forma resumida, a génese de O Portomosense. João Matias, foi o grande mentor do projeto em termos jornalísticos, a sua alma e principal artífice, mas estes dois ilustres portomosenses estiveram sempre a seu lado e foram imprescindíveis para que o projeto vingasse. José Costa e Artur Vieira, fizeram, de facto, de tudo um pouco, neste jornal, nos seus primeiros tempos, e fizeram-no por acreditarem no projeto mas, acima de tudo, por puro bairrismo. Numa altura em que quase toda a gente, antes de se envolver num qualquer projeto profissional, empresarial, político ou cívico, analisa bem os ganhos e as perdas que podem advir desse envolvimento, parecerá estranho que nenhum dos três elementos fundadores de O Portomosense se tenha preocupado com isso, mas foi o que efetivamente aconteceu.
Fazendo, mais uma vez, o paralelo com a atualidade, José Costa, Artur Vieira e João Matias, se pensassem como hoje se pensa, não teriam “mexido uma palha” porque nenhum dos três precisava do jornal, em termos pessoais, para o que quer que fosse. Nunca ganharam nada, pelo contrário, perderam tempo e dinheiro; tinham sólidas e reconhecidas carreiras profissionais e gozavam de prestígio na terra, portanto, aqueles valores que hoje fazem mover muita gente, a eles foram indiferentes na altura de criar este jornal. Ainda bem que o fizeram e, por isso, hoje, na despedida, do último dos três “mosqueteiros”, é hora, na pessoa de José Costa, em nome da atual equipa, mas, principalmente, em nome de Porto de Mós, de lhes agradecer a obra e o exemplo!