Honrar João Matias e as suas intenções

by | 18 Set 2019 | Edição 900

Chegámos à edição 900. Aquando da comemoração das 800 edições, o diretor Isidro Bento, dizia no seu editorial que, provavelmente, por muito boas expectativas que João Matias tivesse para o seu jornal, talvez não tenha imaginado que chegasse, mais de três décadas depois, a esse número redondo que é o 800. O que pensará ele, esteja onde estiver, do facto de termos chegado ao 900? Será que continuamos a honrar tudo o que ele queria para este seu filho? Tudo fazemos por isso. Os desafios hoje são outros, é certo, mas a nossa missão continua a ser a mesma: fazer d’O Portomosense «um órgão de informação ao serviço do concelho de Porto de Mós», dizia-o no seu primeiro editorial.

Hoje enfrentamos o grande desafio que é o digital. Tanta gente apregoa que será o fim do papel, por aqui tentamos que seja nosso aliado e não nosso inimigo. Através do site, lançado este ano, tentamos levar O Portomosense a novos públicos, a faixas etárias menos despertas para o jornal impresso, a pessoas que, por estarem tão ligadas às redes sociais, buscam informação apenas através desse meio. E temo-nos dado bem. Escrevemos para o papel com o mesmo respeito com que sempre o fizemos, mas não deixamos de atualizar o nosso site porque sabemos que, também aí, temos fiéis leitores.

Outro dos desafios dos meios de comunicação são as pressões externas e a manutenção da isenção. Num órgão local, como é o nosso caso, em que a maioria das pessoas, entidades e instituições conhecem o jornal e os jornalistas, esta tarefa torna-se, por vezes, ainda mais hercúlea, obriga-nos a manter pé firme e a não vacilar perante “sugestões”, “insinuações” ou vontades bem explícitas, mas que não representam o interesse dos portomosenses. Era isso que João Matias quereria que fizéssemos ou não o prometeria no editorial da edição número um: «Não mentirei, por intenção; nunca deturparei, por má fé; nunca tergiversarei perante a necessidade de corrigir ou repor a verdade. Nem colaborarei com quem tenta servir-se de mim por intuitos que não se conformem com o perfil que por estas palavras aqui deixo traçado».

Continuamos na busca incessante de estórias – porque um jornalista é um contador de estórias – para dar a conhecer aos nossos leitores a sua terra e as suas gentes. E fazêmo-lo sempre a pensar em si, que nos lê. Termino como terminou João Matias há 899 edições: «Queridos portomosenses de todo o concelho, de todo o País e de todas as partes do mundo, este jornal pertence-vos».